quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Liberdade X Prisão = escolhas da vida

Desde a mais tenra idade aprendemos sobre a importância da liberdade e de lutamos por ela. Como bem disse Cecília Meireles: - a liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.

A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, onde há a escolha do modo que queremos viver e do sentido que daremos à nossa vida.

Em todas as situações da vida, sempre teremos duas ou mais possibilidades para escolher, normalmente antagônicas e complementares entre si, como: enfrentar, retroceder ou fugir do problema, expor ou camuflar os sentimentos, seguir as regras ou chutar o pau da barraca etc.

A existência de mais de uma possibilidade de escolha, obriga-nos a tomar decisões que decorrem da capacidade de argumentarmos conosco mesmos acerca das informações e experiências que acumulamos ao longo da nossa existência e de chegarmos a uma conclusão sobre a melhor alternativa, ou seja, aquela que atenderá melhor às nossas demandas individuais.

A escolha é individual e intransferível. Escolhemos e obtemos os resultados da nossa escolha o tempo todo. O dia de amanhã trará os resultados da escolha do dia de hoje e assim sucessivamente. Se escolhermos semear sementes de flores, colheremos flores, se escolhermos nos enchermos de rancor, ficaremos ressentidos, se escolhermos deixar que outra pessoa nos domine e controle, ficaremos inertes. Por isso não podemos culpar ou responsabilizar ninguém pelos resultados advindos de nossas escolhas, até mesmo de não fazermos escolha.

Entretanto a nossa liberdade de escolha é interdependente e limitada pelo social e por nós mesmos. Em virtude da convivência social, nem sempre podemos fazer tudo o que queremos, bem como ter domínio completo da nossa vida e, não raras vezes, nos tornamos produtos do meio em que vivemos. Em virtude de nossos pensamentos e sentimentos, agimos de forma negativa ou positiva que pode limitar ou expandir o nosso campo de atuação diante da vida.

Para avaliar se a escolha é pertinente, adequada e suficiente precisamos saber como ela se encaixa no cenário no qual a nossa vida está inserida. Assim, para cada escolha, deve-se pelo menos ter a visão dos seus desdobramentos inclusive os aspectos legais e morais, para que, de alguma forma, possamos ter a noção dos riscos envolvidos e dos resultados a serem obtidos a partir dela.

Escolher significa ter alguma coisa e abrir mão de outra. Muitas vezes a escolha gera momentos de conflitos internos e de grande dor, principalmente quando não conseguimos deixar para trás o passado e teimamos em repetir erros, achando que com o mesmo comportamento obteremos resultados diferentes. Essas grandes e solitárias batalhas interiores podem provocar distorção dos fatos e a queima de etapas da vida.

Se não formos capazes de fazer a escolha e/ou tentarmos transferir a responsabilidade para outra pessoa, ficamos perdidos em um complexo labirinto de problemas e de falta de ação para resolvê-los, e nos colocamos no isolamento do eu, aprisionando-nos dentro de nós mesmos com os turbilhões dos nossos pensamentos e emoções fragmentados, tornando-nos pobres de espírito, arrastando pela vida correntes de desilusões, mágoas e ressentimentos e mergulhando em estado de angústia, ansiedade e irritabilidade.

É o sentido que damos a tudo, mesmo àquilo que não o tem, que vai determinar a liberdade que teremos ao nosso dispor. Quando utilizada de forma consciente, a liberdade impulsiona para a felicidade tão almejada, caso contrário para a prisão, uma vez que a alma responde proporcionalmente ao seu estado de liberdade e espontaneidade ou ao seu estado de aprisionamento e repressão.

O que se percebe é que as prisões são produzidas no território da emoção quando nós lidamos com os obstáculos da vida por meio das nossas escolhas e não superamos as frustrações. Existem mil e uma formas de prisões que assolam as almas: o cárcere do ressentimento gradeado pelas tristes lembranças de mágoas e cercados por imagens de cenas vividas e de tramas e soluções que nunca se concretizam, o cárcere da síndrome do pânico gradeado pela necessidade de esconder do mundo ameaçador, o cárcere do ciúme gradeado pela falta de confiança em si mesmo, o cárcere da inveja gradeado pela ambição de possuir coisas que são de outrem, e tantos outros cárceres.

O regime de prisão dependerá do tipo de personalidade de cada um. A prisão pode ser pela maneira de pensarmos ou de nos locomovermos. Na primeira, encarceramo-nos e jogamos as chaves fora, sozinhos, com os nossos pensamentos e emoções que nos impedem de ver e viver a poesia da vida; na segunda, impedimos os movimentos do corpo e não nos damos a oportunidade de locomover e explorar todo o espaço sideral disponível.

O pior de tudo isso é que acabamos nos acostumando com a prisão e aprendemos a projetar imagens mentais de nos mesmos de forma separada da percepção das outras pessoas, gerando, assim, uma ilusão de ótica que restringe os nossos desejos pessoais, conceitos e relações interpessoais. Quanto mais tempo formos prisioneiros de nós mesmos, mais intensificará a nossa ansiedade, que será canalizada para produzir diversos sintomas psicossomáticos que repercutirão na nossa saúde física e mental.

Tudo que deixamos ter poder ou domínio sobre nós é uma prisão. Entretanto há como nos libertamos dela a partir do momento que decidirmos pegar as rédeas de nossa vida e fazermos escolhas saudáveis que venham de encontro com nossos desejos, aspirações e nossas singularidades, embora seja tarefa quase impossível de nos livrarmos de todas as prisões mentais existentes.

Podemos aprender a cultivar o sentimento de sermos livres nas mais diversas circunstâncias do dia a dia da vida: sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão, por meio da conexão da respiração, mente, energia e corpo.

A partir dessa conexão, abre-se o canal para a transformação da consciência que nos permite passar do mundo conceitual do pensamento ao campo da consciência incondicionada, fazendo com que entremos em contato com a nossa essência, onde mora o nosso ser, completamente unificado com o universo e capaz de vislumbrar além do horizonte das aparências e limitações, permitindo transformar todos os sonhos em realidade.

A unidade do ser – que inclui o corpo, os sentimentos/pensamentos, a intuição e o espírito – é impulsionada por energia vital e por uma graça natural e fluida da vida que permite aprender a proteger a emoção nos focos de tensão, a trabalhar as dores e contrariedades, a expandir a arte de pensar e o prazer de viver, resgatar o sentido da vida e nos libertar das nossas prisões mentais.

Por meio da nossa escolha consciente e livre de neuras, somos estimulados a fazer um brinde à sabedoria, conferir sentido à nossa vida, resgatar a espontaneidade, estar presente, ouvir os desejos, estar conectado às diversas dimensões humanas, ser antes de ter e a nunca desistir de nós mesmos, por piores que sejam os nossos problemas e por mais intransponíveis que pareçam ser nossos obstáculos.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Muitos caciques para poucos índios!

Entre os indígenas não há classificação social e os trabalhos e seus frutos são realizados e distribuídos pela tribo. O trabalho é dividido por sexo e idade. As mulheres são responsáveis pelas atividades domésticas: preparo da comida, cuidado das crianças, plantio e colheita, enquanto os homens são responsáveis pelo trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada das árvores.

A inexistência de classificação social faz com que todos possuam o mesmo direito e tratamento, mesmo o pajé (curandeiro e sacerdote) e o cacique (organizador e orientador dos índios), as duas figuras mais importantes da tribo. Este tipo de ligação entre todos permite o desenvolvimento de um forte sentimento de unidade e de relações cooperativas.

Diferentemente do indígena, o homem “branco” adota a divisão de classes e de trabalho. A divisão de classes tem por finalidade estruturar as pessoas dentro de camadas sociais segundo o seu nível de posse (poder aquisitivo) e do poder de influência na sociedade. Quanto mais alto a pessoa estiver na escala social, mais benefícios ela usufrui da sua posição. Normalmente esses benefícios estão relacionados à exploração da força de trabalho das classes que estão a ela subordinadas. Já a divisão de trabalho tem por finalidade produzir mais com o mesmo esforço, onde cada um dos trabalhadores executa uma operação parcial de um conjunto de operações que são, todas, executadas simultaneamente e cujo resultado é o produto final social. Na verdade, o trabalho do trabalhador é estranho a ele. Ele produz, mas não se apropria de sua produção, recebendo em troca tão somente um salário e alguns benefícios tangíveis e intangíveis.

As divisões de classes e de trabalho tanto nas empresas públicas quanto nas empresas privadas foram construídas historicamente, respondendo às exigências dos diversos modos de produção desenvolvidos ao longo da história da humanidade.

Essas divisões provocam relações hierarquizadas entre os indivíduos. As conexões e a cooperação entre estas diversas partes, que não podem subsistir isoladamente, constituem um dos maiores desafios da organização social dos brancos.

Para lidar com as situações provocadas pela divisão de trabalho, foi estabelecido no âmbito das empresas privadas e públicas sistema de ligações entre as diferentes partes produtivas por meio da chefia institucionalizada. Para a ocupação dos cargos, são denominadas pessoas que recebem inúmeros títulos tais como: "capitão", "líder", “chefe”, “cacique”.

Nos órgãos públicos, não obstante os rituais administrativos de criação de funções comissionadas sejam celebrados dentro da legalidade, eles funcionam como brecha da lei para os detentores do poder colocar pela “janela” seus parentes e amigos, constituindo-se em um dos maiores erros da administração na condução da coisa pública.

Quando há a criação de cargos para atendimento tão somente de interesses particulares, acaba desequilibrando a amplitude de controle. Entende-se por amplitude de controle a quantidade de funcionários que um administrador consegue dirigir com eficiência (meios) e eficácia (resultados). A existência de um número maior de chefes para cada subordinado, bem como o seu inverso é prejudicial para o bom andamento dos serviços da empresa, como diz o ditado “ninguém pode servir a dois senhores”.

Alguns autores, como Joseph Litterer, consideram como amplitude de controle ótima o número de quatro subordinados para cada chefe, bem como apresentam duas recomendações básicas: que sejam usadas todas as relações possíveis: 1) singular direta: o chefe com cada um dos subordinados individualmente, 2) grupal direta: o chefe com cada permutação dos funcionários, e 3) cruzadas: quando os subordinados interagem - e que o chefe esteja envolvido no supervisionamento de todas essas relações.

É comum verificar na estrutura organizacional dos órgãos públicos, uma cadeia hierárquica onde cada chefe tem apenas um subordinado, que também é chefe de apenas um subordinado ou dele mesmo e assim sucessivamente.

Evidentemente se no setor só tem o chefe ou no máximo um subordinado, ou o chefe terá que executar as tarefas como um simples servidor ou sobrecarregar o subordinado que deverá realizar todo o serviço operacional.

Além disso, em virtude da forma ilegítima de ocupação do cargo por parte dos parentes do detentor do poder, muitos desses chefes se sentem no direito de serem servidos em vez de servirem aos propósitos do órgão, transformando-se em sanguessugas da coisa pública.

Assim os funcionários ficam órfãos de uma boa administração e sujeitos a servirem os caprichos de caciques forjados que a única coisa que sabem fazer é exibir seus majestosos cocares de chefes.

Quando se tem discrepância no dimensionamento das funções comissionadas, significa que se aumenta o número de chefes e o custo com pessoal e diminui-se a força produtiva de servidores para a execução das tarefas, gerando a ociosidade da capacidade do chefe de coordenar as atividades, falta de delegação, pouco desenvolvimento dos subordinados, o corporativismo, a indefinição das esferas pública e privada, a desmotivação, entre outros.

Por isso, a Administração Pública deve promover ações que asseguram a satisfação das necessidades coletivas variadas, tais como a segurança, a cultura, a saúde e o bem- estar da população brasileira, ou seja, deve dar novo matiz, nova entonação para a criação e a distribuição de funções comissionadas, pois a ocupação da função comissionada por meios legítimos, observando-se a amplitude de controle, de maneira geral estimula o aumento da produtividade e a melhoria do nível de competências da organização.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A eterna queda de braço entre chefe e subordinados

Millor Fernandes teve uma sacada genial sobre as relações de poder quando disse que a democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim. E nada melhor do que a assunção de cargo de direção para expor as vaidades ou mazelas existentes em cada ser humano no comando, afinal quer conhecer uma pessoa e só dar-lhe o poder.

A forma com a qual os chefes lidam com os subordinados e vice-versa desencadeia comportamentos favoráveis ou desfavoráveis para o relacionamento profissional e para o desempenho do trabalho. Por isso é comum que as pessoas reclamem de seus chefes quando são subordinados e reclamem dos seus subordinados quando são chefes dependendo das posturas que ambos adotem.

Nesse aspecto o ser humano é um bicho muito esquisito, as atitudes/posturas que critica no outro ele as reproduz, principalmente aquelas que foram vistas como bem-sucedidas – como se fossem receitas de bolo - no seu comando. Assim é com os filhos em relação aos pais na educação dos seus rebentos e com os subordinados em relação ao seu superior quando se transformam em chefe na condução do trabalho de seus subordinados.

Mandar é diferente de saber conduzir à equipe para realização de ações que garantam excelentes resultados a partir da colocação de cada talento em seu devido lugar, levando em consideração os anseios, a formação e a experiência de cada profissional. Essa, aliás, é a grande diferença entre o líder e o chefe.

Quando o chefe tem a necessidade de deixar claro que quem manda é ele, o canal de comunicação entre ele e os seus subordinados serve tão somente para a transmissão de ordens, resultando na apropriação indébita da verdade por parte do chefe, onde só ele fica com a razão.

Muitas vezes, o chefe adota essa postura porque é inseguro e tem medo de perder o seu posto. Quanto mais inseguro for o chefe maior a necessidade de demonstrar poder ele tem por meio de grosserias para impor medo e de centralizar o trabalho para ter tudo sob o seu controle.

Assim inicia o ciclo vicioso, o chefe não delega porque não confia em si mesmo e muito menos no seu subordinado, e não tem tempo de instruir seu pessoal porque está fazendo todo o trabalho. Isso faz com que haja a criação de ambiente de trabalho conflituoso inibidor de iniciativas por parte dos subordinados e, por conseguinte, a baixa produtividade da unidade administrativa.

O uso excessivo da hierarquia coloca o chefe em rota de colisão com os seus subordinados, exaltando os ânimos e provocando reações de enfrentamento ou de boicote velado, gerando quedas de braços para medição de forças entre eles, uma vez que são da natureza humana a disputa do poder e a necessidade de provar que é um vencedor numa sociedade que valoriza mais o que se tem do que o que se é.

A forma de chefiar sempre irá variar de pessoa para pessoa, de consciência para consciência. Cada um tem seus limites, impostos por suas crenças, formação profissional, experiências de vida e princípios morais e éticos, entretanto todos devem buscar sempre ter um bom relacionamento profissional e saber ser respeitado e não temido justamente pela forma como lida com os outros, porque a vida é uma verdadeira gangorra, ora se está por cima, ora por baixo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Improdutividade Coletiva

As mudanças no órgão público, na grande maioria das vezes, são provocadas pela troca de gestão e raramente para sua adequação ao ambiente em constante mutação no qual está inserido.

Mudanças constantes de gestão sem plano de comunicação e norteadas apenas por questões políticas em detrimento do técnico, que privilegia mais o leilão dos cargos e/ou das funções comissionadas do que da importância do trabalho e da escolha de um profissional com as qualificações necessárias para realizá-lo, produzem inércia e improdutividade coletiva no órgão. Evidentemente que além desses dois, existem outros fatores, tais como: a falta de planejamento, de definição de prioridades e de objetivos etc. que contribuem para a improdutividade, mas que serão tratados em outra oportunidade.

A falta de informação, somada a rapidez com que os boatos proliferam na rádio corredor, provoca as especulações de todas as naturezas e em todos os sentidos acerca das mudanças, gerando tensão entre os funcionários e impactando nas suas psiques, causando ansiedade e deixando-os paralisados e fixados nos acontecimentos acerca do que estão percebendo no ambiente.

Sob constante estado de alerta, os profissionais passam atuar na afobação e desespero perdendo o foco no trabalho, principalmente àqueles que percebem que estão com suas cabeças a prêmio ou prontas para serem decapitadas.

Muitos desses funcionários percorrem verdadeira via crucis para se manterem nos postos. Inclusive se submetendo a todos os tipos de humilhação profissional e de submissão aos mais caprichosos desejos de quem está com a coroa e sentado no trono, mesmo que não tenha nenhuma legitimidade para isso. Tudo isso tão somente pelo dinheiro!

Enquanto não se concretiza toda a mudança, o funcionário entra no círculo vicioso de freqüentes escapadas da sala para buscar informações junto à rádio corredor ou fazer a sua via crucis, não fazendo parte de suas preocupações o trabalho sob sua responsabilidade, que se acumula e perde prazos e objetividade. Com esse tipo de atitude o funcionário fornece a “guilhotina” para a sua decapitação, facilitando as manobras políticas da administração com todas as argumentações para eliminá-lo, quando isso o for conveniente.

Vencida a etapa dos despojos: de quem fica onde e com o que, entra em cena a nova fase da improdutividade: a disputa de poder.

As nomeações para ocupação dos cargos feitas a partir da teia de relações de poder criam situações conflitantes entre os funcionários, pois é gerada e alimentada a rede de intrigas, onde o detentor do poder garante sua “vitaliciedade” no cargo por meio de manobras ardilosas, semeando a discórdia com a estimulação da “puxada de saco e de tapete” entre os funcionários. É sabido que quanto mais desunido e desorganizado estiver o grupo, mais fácil se torna aplicar qualquer tipo de golpe.

Num ambiente de competição predatória, só ficam com os cargos e/ou as funções comissionadas os mais ambiciosos e inescrupulosos que colocam as suas “garras” para fora e de mais “doce bichinho” se transformam em um “monstro da Tasmânia”, capaz de utilizar de todas as táticas de guerra para galgar e/ou se manter no cargo/função comissionada sem pensar duas vezes para aniquilar sem dó e nem piedade todos aqueles que se encontram no meio do seu caminho, mesmo que eles sejam a mais insignificante das criaturas. Esse cenário reforça a visão de Thomas Hobbes de que o homem é o lobo do homem.

O trabalho se transforma numa arena de gladiadores, proporcionando um verdadeiro show da pequenez humana. Diariamente são travadas batalhas. Algumas são mais sangrentas do que outras, dependendo da sede de poder do ocupante ou pretendente do cargo. Assim de torturas psicológicas a canibalismo é possível ver de tudo um pouquinho.

É claro que quando o funcionário está lutando em prol da sua manutenção no poder não sobra tempo para se dedicar ao trabalho. De um modo geral, o funcionário preocupa-se mais com a eficácia de sua estratégia de combate do que com o planejamento do trabalho, fixando os seus poucos esforços na simples execução de tarefas rotineiras, não agregando nenhum valor a mais ao trabalho.

Consciente da improdutividade ou não, o órgão persiste em colocar-se numa eterna armadilha de procedimentos e ações estéreis advindas da falta da transparência de sucessão e do excesso de "politicagem" no preenchimento dos cargos e/ou das funções comissionadas.

Não é possível fazer com que as pessoas se comprometam com os objetivos do órgão por meio das estratégias de marketing e da aplicação da Lei de Gérson. Apesar do lindo discurso de modernização que muitas vezes acompanha a troca de gestão, a ação administrativa é percebida antiga, anacrônica, mofada e fétida.

As pessoas precisam entender o que está acontecendo e no que as mudanças impactarão no seu futuro profissional, bem como quais são as exigências para galgarem ou se manterem no cargo/função comissionada, caso contrário elas estarão comprometidas somente consigo mesmas sem nenhum contraponto para o órgão, quer seja pelo uso equivocado do poder, falta de hábito de cumprir com as obrigações, necessidade de subestimar o outro para se sentir bem ou por simples falta de princípios morais e éticos.

Se se quer alcançar os objetivos organizacionais, faz-se necessário ir além dessas práxis de usurpação da coisa pública, não persistindo em ações que não trazem nenhum benefício, as quais devem ser abandonadas, arrancadas e extirpadas do processo de trabalho.

A produtividade começa a nascer quando se muda o modelo de gestão de usurpação para o de meritocracia. Somente a mudança de atitude e de perspectiva frente aos fatos é que poderá evitar que haja a improdutividade coletiva, que se percam profissionais importantes e, às vezes, o rumo e a razão de existir da organização.

Assim é absolutamente necessário contar com a inteligência e a força produtiva dos melhores profissionais para conseguir realizar o trabalho difícil de transformação de uma visão em realidade e obter os resultados almejados.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Heróis e vilões sob olhar desconfiado

Quem são os nossos heróis e vilões? Eles existem além da nossa imaginação? Será que o herói existiria se não houvesse o vilão fazendo o contraponto? Há divisão entre o herói e o vilão? Onde começam e terminam as suas ações?
Charles Chaplin disse que os heróis não nascem, mas se fazem. Acredito que ele tenha razão. As circunstâncias que proporcionarão à pessoa o papel de herói ou de vilão no palco da vida, bem como o prisma pelo qual nós olharmos a pessoa em ação, tal qual aconteceu com Hittler.
Para os alemães, Hittler foi um herói, pois ele levantou o moral do povo e os uniu para a conquista da supremacia do país. Para as outras nações e principamente para os judeus, Hittler foi um vilão, em virtude das atrocidades que cometeu na Segunda Guerra Mundial, que resultou no maior holocausto registrado até agora na história da humanidade.
Nós criamos os nossos heróis e vilões, a partir das nossas expectativas guiadas por um componente estético, por um conceito de beleza e de elegância ou de seu contrário, a fim de nos espelharmos nos seus exemplos no nosso desenvolvimento pessoal.
Os primeiros heróis criados normalmente são os nossos pais. Na nossa frágil e inocente infância, depositamos neles a esperança de um ser perfeito. O nosso pai é o super-homem: forte, inteligente e rico que garante a nossa proteção e sustentação, enquanto a nossa mãe é a mulher maravilha: linda, charmosa e acolhedora que nos dá amor, colhinho e nos enche de mimos.
Mas à medida que crescemos, vamos aumentando nossa coleção, escolhendo os personagens que mais nos convém dentro de um ideal. Quando nós transformamos outras pessoas em herói ou vilão, a pessoa acaba sendo cobrada a ter uma atitude muito maior ou aquém do que de um ser humano.
Entretanto o que nós esperamos dos nossos heróis ou vilões não retrata o que de fato eles são: seres humanos. No fundo, por trás de cada ideal personificado, existem pessoas humanas cheias de defeitos e qualidades, que estão no nosso mesmo barco humano na travessia da vida terrestre.
Quando há a mitificação de personagens em nossas vidas há sempre o risco de acabarmos nos decepcionando com os nossos heróis e no meio do caminho eles morrerem ou se transformarem nos nossos vilões. Não há um ritual de passagem de herói para vilão. Ela acontece quase instantaneamente como um piscar dos olhos.
Poucas pessoas serão consideradas heróis e vilões. A maioria de nós ficará no anonimato, não obstante termos atitudes tão vilãs e heróicas no nosso dia a dia como aqueles que assim o consideramos.
Qual o papel que cada um irá exercer na vida - de herói ou de vilão, eu não sei responder. O que vai nos diferenciar de sermos heróis ou vilões de nossa própria vida serão as nossas ações na luta diária pela sobrevivência. Alguns lutarão por boas causas, refletidas na grandeza das ações honradas e benevolentes, enquanto outros lutarão sem objetivos, cujas ações estarão impregnadas de vitórias sustentadas na força, na intolerância e no destempero emocional.
Eu escolho compor a liga da justiça, mas sei que irei desempenhar, devido as minhas fraquezas humanas, mais o papel de vilã do que o de heroína como gostaria.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Veia Poética

Eis algumas das fases da minha vida em verso e prosa que ora foram maravilhosas e ora de superação.

AS BATALHAS DA VIDA
(2002)

As várias batalhas ao longo da vida nos remetem ao forçoso processo de crescimento pessoal, não havendo, muitas vezes, tempo de nos refazermos de uma luta, antes de entrarmos em outras.
Algumas feridas ainda estão sagrando, outras apresentam cascas e novas são adquiridas, poucas estão curadas...a roda da vida exige uma adaptação imediata e contínua do nosso ser ao social.
Não se pode vacilar...Seguir sempre adiante sem olhar para trás é necessário para sobrevivermos, mas extremamente difícil de se fazer. Agarramos com unhas e dentes a vivência do passado e alimentamos as diversas neuras introjetadas pelos nossos pais que, apesar de nos ter preparado para o convívio social, confunde-nos sobre o que somos.
Criam-se expectativas do que deveremos ser e o nosso eu interno, voltado para o exterior, mascara o seu âmago na tentativa de agradar os outros. Iniciam-se os conflitos. Medos, inseguranças e deturpações surgem a cada momento da decisão e nos conduzem para o fundo do poço. Passamos a visualizar o lado negro e opaco da vida.
A chama da esperança tenta resistir, mas enfrenta o sopro de ventos do desânimo mais fortes que vêm de todos os lugares...Caímos em desespero... A fé entra para interceder a nosso favor e nos ajuda a entender que o bom guerreiro lambe suas feridas e se prepara para a próxima luta, mesmo que esteja petrificado pelo medo de mudar.
Não há espaço para lamentações ou desculpas na obtenção da vitória de poder ser na sua essência. Dar o primeiro passo em direção da autodescoberta pressupõe despir-se de todas as vaidades e do orgulho de parecer ser. Deve-se esvaziar o copo do aprendizado para enchê-lo com a substância fluida da vida. É preciso saber viver, transformando os obstáculos em degraus, o feio em belo...Só assim, a vida fará sentido para nós, constituindo-se num verdadeiro Presente de mais um dia concedido pela dádiva de Deus.

A VIDA
(2004)

Com vários caminhos:
Alguns tortuosos,
Alguns sem saída,
Alguns deslumbrantes.
Levam-nos ao paraíso, à crise, às mudanças...

A escolha é livre.
A lei do retorno estabelecida.
Aqui se cobra, aqui se deve.
A energia cósmica transita.
Suprindo os receptáculos.
A essência do ser esquecida.
A busca do ter predomina.

Amor, traição, vergonha, culpa
Fazem parte da sina.
A dúvida se instala.
Se se leva a vida ou
Se se deixa levar pela vida.
Vida vazia
Vida cheia
Vida sem vida
Vida bem vivida

NO COMPASSO DA VIDA...
(2004)

No compasso da minha vida,
Bate o meu coração
Num ritmo variado,
Conforme as paixões...

No compasso da minha vida,
Vivo os bons momentos,
Com muito alto astral
Cerco-me de novos e velhos amigos...

No compasso da minha vida,
Entrego-me de corpo e alma
Ao novo amor da minha vida
Que pode durar um minuto ou uma eternidade
Dependendo da química...

No compasso da minha vida,
Enfrento os obstáculos...
Removo-os, pulo-os ou me engasgo,
Mas o que no final importa
É o que fica de aprendizado...

No compasso da minha vida,
Curto o aqui e o agora.
Vivendo o hoje intensamente
Na loucura de poder desfrutar só mais um instante
Do presente...

No compasso da minha vida,
Posso alcançar o nirvana,
Embalado pelas notas de uma boa música...

No compasso da minha vida,
Vivo uma vida bem vivida em todos os momentos
Realizando-me por inteiro.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Os efeitos do mal a conta gota

Não existem dois seres humanos que agem igualmente. Cada pessoa vê e vive a vida sob um determinado prisma, interpretando-a de uma forma extremamente subjetiva e única.

Nosso corpo transmite informações importantes que demonstram nossa maneira peculiar de ser e de processar as informações recebidas ao longo da nossa vida impactando sobre o nosso modo de agir, de reagir e de interagir com o meio, caracterizando as doenças ou a saúde manifestadas no nosso corpo e alma.

A doença é entendida como um descompasso emocional e físico levando ao desequilíbrio interno, enquanto a saúde é entendida como uma sintonia entre corpo, alma e espírito perfeitamente orquestrados.

A doença se manifesta não só por sinais objetivos observáveis pelos sentidos, mas também por sintomas e sensações subjetivas advindas das interelações entre as pessoas e destas consigo mesmas.

Como os seres humanos são seres sociáveis, há uma necessidade de interação constante entre as pessoas. Entretanto, alguns relacionamentos fazem mal para as pessoas e podem ocorrer tanto no âmbito pessoal quanto no profissional.

Uma das partes da relação sabe manipular as circunstâncias de tal forma que, apesar de fazer o mal, só as suas boas ações ficam visíveis aos olhos do outro. Contudo por detrás da pele de cordeiro, existe um verdadeiro lobo mau pronto para subjulgar sua vítima.

Os algozes são pessoas inteligentes que conhecem bem os pontos fracos de suas vítimas nos quais atuam e sabem manipular os sentimentos que incidem sobre as variantes psicológicas do ser humano.

No começo, é utilizado um processo de sedução para aproximação e invasão sutil do espaço do outro. Mas logo em seguida são utilizadas ameaças veladas ou de clara hostilidade e fria indiferença, que possuem o objetivo de causar um dano na psique da vítima, a fim de reduzi-la à impotência e à servidão completa às suas vontades.

Por meio da utilização de diversos instrumentos de manobra depreciativos, reiterados e prolongados, são criados sentimentos de culpa e de falta de merecimento na vítima. Gentilmente o algoz, sedento do desejo de dominar, humilhar, denegrir e intimidar, ajuda a vítima a ir na direção da auto-destruição, estimulando-a a abrir mão dos sonhos e a pisar sobre o amor próprio.

Quando o mal impera por meio de procedimento astucioso e ardiloso a conta gota nas palavras, no tom, no olhar, na ironia, na indiferença e na humilhação, é capaz de produzir determinada alteração em um indivíduo saudável ao longo do tempo, de tal forma que as feridas na alma, às vezes, são mais profundas do que as de uma agressão física.

O mal destilado pelo algoz invade e alastra-se sem nenhuma cerimônia no universo psicológico da vítima, provocando medo que se apropria de suas ações. Não é a quantidade do mal que importa, ao contrário, quanto menor a quantidade presente e quanto mais constante, maior potencial destrutivo ele tem. Dependendo da regularidade, duração, quantidade de exposição, o mal é capaz de minar a autoestima, infectando a alma, atrofiando os sonhos e paralisando o espírito da vítima.

Aos poucos os sintomas aparecem por meio de algumas reações físicas e psicológicas que pioram ao longo do relacionamento tóxico. Os males se escondem nas profundezas do ser de maneira tão disfarçada que mal se consegue reconhecê-lo. Chega a um determinado momento que a vítima passa a ter dificuldades para saber o que é normal ou não, o que dizer, o que pensar e principalmente o que ela é. A vítima fica numa espécie de transe e totalmente viciada por esse relacionamento tóxico. O cérebro não sabe separar realidade de ficção, levando a pessoa ao comportamento insano. Assim o processo danoso transcende e impulsiona danos substanciais à alma também.

Normalmente é o algoz que abandona a sua vítima porque se cansou de brincar com os sentimentos dela e vai à caça de novas presas. Embora o algoz tenha aniquilado, desorientado e gerado a infelicidade da vítima, para a vítima é inadmissível viver sem o seu algoz tamanha é a sua dependência. Como a vítima foi induzida pelo algoz a ver o paraíso como o inferno e considerar o mais miserável tipo de vida como paraíso, ela o vê e o considera como a tábua da sua salvação.

Assim que é abandonada, a vítima entra em profunda depressão e acredita que não conseguirá sobreviver sem o algoz. Embora a vítima alcance o fundo do poço, ela aos poucos vai se desintoxicando e recobrando a consciência da existência do seu ser. Leva algum tempo para a vítima perceber que, o que parecia ser o fim da sua vida, na verdade, é o início de sua reconstrução.

Passo a passo a pessoa retoma sua Energia Vital e, a partir de um padrão vibratório semelhante e mais forte que o preexistente da intoxicação, começa a desenvolver um auto-respeito e a promover ações a partir da luz clara da consciência. A pessoa amadurece emocionalmente, ou seja, torna-se capaz de raciocinar também com os sentimentos, mantendo-os sob o seu controle, bem como aprende a lidar com a outra pessoa sem abrir mão de si mesma, a impor os seus limites e respeitar os dos outros, a reconhecer as suas falhas humanas e tentar corrigi-las, a sonhar os seus próprios sonhos e a buscar relações dentro de um novo paradigma, levando em consideração cada parte do relacionamento dentro da sua globalidade e integridade pessoal.