sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Canto do Encontro da Felicidade de Criança


Na tela da minha memória, encontram-se registradas cenas da minha infância que exalam cheiro de saudades dos tempos em que vivi com meus pais e irmãos de onde até hoje ecoam gostosas gargalhadas de crianças inocentes que coloriram e encheram a casa de alegria de viver.
Até os meus 6 anos de idade, só tenho vagas lembranças de quando eu morava no Cruzeiro Novo e logo após em Sobradinho. Mas, desde o dia 06 de maio de 1975, dia em que também comemoramos o nascimento de meu pai, essas lembranças não só aumentaram como também foram mais bem capturadas pelas lentes cinematográficas do meu cérebro, garantindo uma boa reprodução do meu filme da vida.

A nossa casa, edificada na solidez dos princípios e valores familiares de meus pais, era o nosso verdadeiro lar-santuário. Ela era um barraco  bastante modesto, mas bem cuidado por todos nós, cujas atividades eram realizadas de acordo com a idade e sexo de cada um. Quanto mais velhos ficávamos, maiores eram as nossas responsabilidades para com as atividades domésticas e de cuidados com os menores. Acredito que isso fez com que ficássemos bem preparados para assumirmos a responsabilidade de administrar bem uma casa e a nossa vida em todas as suas dimensões.
A casa não era nem grande e nem pequena, mas tão somente suficiente para acomodar a todos nós 8 (pai, mãe, 5 filhas e 1 filho) que lá morávamos. Possuía um amplo quintal cercado por estacas de madeira, onde podíamos nos divertir à vontade segundo a nossa imaginação e saborearmos das frutas da mangueira, do abacateiro, da pitangueira e da goiabeira. Só limpá-lo que não era muito bom. Frequentemente ele ficava coberto por folhas que necessitavam ser rasteladas e queimadas, aumentando o tempo de cumprimento da obrigação e diminuindo o tempo da diversão...
 Suas janelas, durante o dia, eram sempre mantidas abertas, permitindo a entrada de muita luz, circulação do ar nem sempre agradável por causa do chiqueiro do vizinho, e muitas vezes a entrada de um quilo de poeira quando algum carro passava na rua de chão batido. Quando chovia, as gotas tocavam verdadeiras músicas no telhado de zinco, as quais embalavam nossos sonhos infantis e/ou revelavam buracos existentes na telha, exigindo providências imediatas de busca de balde e de conserto posterior. Por não possuir forro, de vez em quando, entravam morcegos, despertando-me verdadeiro terror e a necessidade de meu pai vir ao meu socorro como meu super-herói, afugentando-os e/ou matando-os.
 A celebração da vida se fazia no dia a dia. Só a reunião de todos da família em casa por si só já era uma festa bem barulhenta, tal qual um grupo de maritacas sobre um galho em dia ensolarado. Era impossível se ter silêncio na casa, por isso aprendemos a nos concentrar dentro do barulho. Tínhamos sempre visitas que podiam entrar sem bater e sair antes do nosso toque de recolher para dormir, cujo horário ocorria junto com as galinhas...
A todo o momento, após o cumprimento de nossos deveres, um dos coleguinhas chegava para  partilhar um dia de brincadeiras divertidas, que rendiam sorrisos sinceros e estreitamento dos laços de amizade. Até porque minha mãe não gostava que ficássemos na rua e nem na casa do vizinho, mas não se importava se trouxéssemos todos eles para brincarem conosco no nosso quintal...
A nossa infância não foi o tempo todo um mar de rosas. Lógico que nos deparamos com alguns problemas financeiros e de desentendimento e tudo àquilo que se tem em uma família grande, mas todas as coisas ruins foram superadas por todos nós que sempre tivemos um espírito de equipe e cheios de sentimentos nobres dentro de nossos corações.
A cozinha, além de servir de local de preparo da comida, era o meu ponto de encontro favorito. Durante a refeição, a vida podia ser debatida, vivida, sonhada, bem como podíamos degustar da comida feita pela minha mãe e/ou pai, que mais parecia o manjar dos Deuses. Até hoje me dá água na boca só de pensar na polenta turbinada com carne de panela, verduras e legumes que era preparada e servida nos períodos de frio e no feijão refogado com bastante alho, cujo aroma me fazia flutuar em direção da cozinha. Troco qualquer banquete por um prato de comida feito em casa. Pena que não posso mais degustar de algumas delícias que meu pai preparava, pois ele partiu para sua nova jornada em 2008...
Algumas vezes, sem avisar, apresentavam-se mais bocas famintas e/ou os nossos coleguinhas eram convidados para fazerem uma boquinha conosco. Isso fazia com que houvesse a necessidade de colocar mais água no feijão ou se comer um pouco menos para poder a comida ser suficiente para todos. Por mais que fosse nos privar de alguma coisa, tínhamos um enorme prazer de dividir tudo que possuíamos para que todos pudessem ter o direito de comer pelo menos de um pouco de tudo, saciando a sua fome.
Não precisava ter uma ocasião especial para nos reunirmos e nem muito dinheiro, bastando somente imaginação e querência de ficarmos juntos. Jogar baralho, brincar em cima das árvores, caçar caju no cerrado, bater papo na varanda ou em volta de uma fogueira tomando Chapinha, um vinho de quinta categoria comprado por meio da vaquinha, jogar vôlei, construir carrinho de rolimã e pipa, quebrar vidro para fazer cerol etc.. Como coração de mãe, as portas da minha casa estavam sempre abertas para acolher a quem quisesse ser coberto de bem-querer.
E quando havia evento especial, nós limpávamos a casa e nos preparávamos para a chegada dos nossos convidados, vestindo a melhor roupa, acompanhada com o sorriso estampado no rosto e a fragrância de nossas almas perfumadas de alegria por recebê-los em casa e partilhar do que tínhamos de melhor: o nosso lar.
E o sentimento de se sentir em casa acompanhou a todos os que compartilharam do aconchego da minha família. Tanto que, quando meu pai fez sua passagem para a vida espiritual, uma das coisas que foram ditas e repitas por todos que prestaram suas últimas homenagens foi o reconhecimento de seu jeito anfitrião de ser de bem receber a todos. Entre e sinta-se como se estivesse em casa era o seu lema.
Assim não era necessário sair de casa para encontrar a felicidade, ela estava disponível o tempo todo ali mesmo para nós. Mesmo, plantada no meio de uma favela, a minha casa era um rico e fantástico lar cheio de cuidado, respeito, lealdade, bondade, ajuda mútua, apoio, atenção, boa vontade, prazer e alegria, coração aberto e muita entrega. Lá a atmosfera do amor era sempre uma constante que enchia os nossos corações e perfumavam nossa alma, dando a liga para a união de todos os membros da família e permitindo que se dividissem problemas, multiplicassem-se alegrias e eliminassem as desavenças.
Vivi em um lugar mágico que parece não ter mais fim... Lá era possível dar asas a minha imaginação e brincar de viver. A felicidade provinha normamente do convívio familiar, das coisas simples e corriqueiras da vida.
Fomos crianças felizes com tudo o que nós podíamos possuir. Nós não tivemos nada de supérfluo, mas tão somente tudo aquilo de que nós precisávamos para viver. Vivemos sempre em abundância, pois soubemos aproveitar tudo àquilo que nossos pais puderam nos oferecer, muitas vezes à base de enormes sacrifícios pessoais para tornar a nossa vida um grande parque de diversão.
E quando casei, fiz questão de trazer para minha nova casa um bocado de coisas que tinha aprendido na casa dos meus pais, ou seja, que basta está rodeada pela família para me sentir feliz. E até hoje sinto que não existe no mundo outro lugar melhor do que a minha casa... Por isso a volta para minha casa sempre é muito prazerosa.
 Enfim, a minha infância é uma memória viva. Basta nos reencontrarmos e começarmos a conversar para que essas lembranças nostálgicas venham à tona, como um filme,  fazendo-nos reviver os momentos de magia vividos em outrora. As recordações são de simples travessuras de furar lata de leite condensado e não deixar quase nada para preparar o pudim de leite, passando pela experiência do meu irmão de jogar um fósforo aceso dentro da garrafa de álcool e olhar para ver como é o processo de combustão...
E não nos cansamos de percorrer o caminho de volta das nossas lembranças até chegarmos ao nosso tempo de criança. Muitas vezes somos até estimulados pelos nossos filhos e sobrinhos que gostam de se divertir com os nossos causos, principalmente contados pelo meu irmão que possui uma veia artística da improvisação e de nos fazer rir com o seu jeito matreiro de ser.
Espero sinceramente que os meus filhos passem para os meus netos todo o aprendizado que tiveram a oportunidade de vivenciar no dia a dia do convívio familiar e de transmitir todo o amor que receberam de todos nós, dando continuidade às suas raízes e perpetuando a fonte de felicidade.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Mãos Curadoras

Deus concede dons especiais a cada um de Seus filhos para que possam servi-Lo em Sua obra divina. Um dos dons concedidos a mim foram mãos de cura,  cuja energia acesso por intermédio de “processo de sintonização” com Deus, que permite eu canalizar a energia vital e repassar adiante a minha unção especial.

Para fazer jus a este dom, tento utilizá-lo me espelhando no maior mestre de cura de todos os tempos pela imposição das mãos, Jesus Cristo. O qual, utilizando-se da energia etérea à distância e também colocando seus dedos em partes do corpo, curou aleijados, cegos, leprosos e todos aqueles que buscaram com fé a Sua ajuda, bem como concedeu a Seus discípulos poder para revelar os mistérios da vida.

Tenho consciência de que este trabalho de cura requer vigilância diuturna do meu ego e de que deve ser prestado gratuitamente a todos que a mim se socorrerem. Por isso peço a Deus, antes de iniciá-lo, que meus atos sejam frutos da compaixão e não da vaidade e estejam ungidos do Espírito Santo para que eu possa vivenciar tão somente o amor do Pai com o meu próximo.

Antes de qualquer trabalho de cura, certifico-me se estou em perfeito equilíbrio mental, emocional e espiritual, a fim de que só possa fazer o bem e evitar qualquer contaminação energética proveniente de pensamentos e sentimentos impuros.

Por meio de um ritual de meditação, contando com o aroma de incensos, evoco a presença de Deus para que durante o trabalho me acompanhe e me instrua como devo proceder para ajudar a cada um dos que preciso ajudar dentro de suas necessidades e das minhas capacidades humanas.

Faço a abertura do trabalho, abrindo o meu plexo solar e orientando a pessoa para respirar em quatro tempos. Quando inspirar, deve pensar em todas as coisas maravilhosas que deseja para si e prender dentro do corpo todos os fluidos positivos até enquanto conseguir. Logo após deve expirar, desfazendo-se de tudo aquilo que a esteja causando dor e sofrimento, mantendo totalmente vazio aquele espaço para que possa ser preenchido com o Prana, oriundo do Sopro Divino.

Durante toda a sessão terapêutica, rezo o Pai Nosso, solicito que seja procedida à cura por meio de minhas mãos e digo palavras de otimismo. Com a imposição das minhas mãos sobre o corpo, às vezes associada com toques em pontos vitais teleguiados pelo Espírito Santo, transfiro a luz de Deus que formam campos magnéticos de alta intensidade nos locais afetados pela doença.

Percebo que muitas vezes as dores dilacerantes, apesar de se apresentarem no corpo físico, são provenientes da alma desejosa de cuidados das feridas  nela abertas no campo de batalhas realizadas ao longo da vida.

Como um passe de mágica, minhas mãos ficam como vulcão em erupção, transbordando energia que se infiltra e difundi pelos órgãos necessitados do corpo, possibilitando a restauração das enzimas danificadas, o desbloqueio energético e a harmonização da energia global do organismo,  reestabelecendo o equilíbrio espiritual, social emocional e físico.

A troca de energia é fabulosa. Eu deixo um pouco de mim e recebo um pouco do outro num processo harmônico de acolhimento do ser na sua mais pura essência divina que habita em cada um de nós, abençoada por Deus.

Neste momento é procedida a limpeza no plano áurico, possibilitando que a pessoa experimente, através dos sentidos da alma, uma dimensão e consciência além da percepção física. Embalada pela leveza e pureza da luz celestial, a pessoa ascende ao plano etéreo e vivencia a plenitude da sabedoria divina, onde não há espaço para dor e sofrimento, mas tão somente para a paz de Deus.

Sinto ao ajudar o outro um profundo sentimento de amor, que eleva o meu coração a Deus e traz um estado de serenidade e paz para o meu espírito. Não há nada mais gratificante e recompensador do trabalho de cura do que ver meu irmão se reestabelecendo de sua doença.

Espero que a cada dia eu consiga praticar mais e mais bem por meio de minhas mãos de cura, a fim de que eu possa revelar e testemunhar os milagres de Deus na minha vida e nas dos que eu conseguir ajudar. Também quero me tornar cada vez mais digna de ser filha de Deus, honrando sempre o Seu Santo Nome ao disseminar o Seu amor por meio da cura, nutrindo meu coração com sentimentos nobres e doutrinando o meu espírito segundo a Sua palavra.

Espero ainda que, com o compartilhamento de minhas experiências, ajude ao meu irmão também a descobrir os seus dons e/ou ter ideia de como utilizá-lo em prol do outro. Até porque acredito que quanto maior for o número de pessoas praticando o bem em nome de Deus maiores serão as oportunidades de ampliarmos as fronteiras do amor e promovermos a paz por meio da união fraterna na resolução dos problemas mundiais.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Deus, o Pão da Vida!

Nada melhor do que, quando  o estômago está roncando, podermos sentar à mesa e ter o que comer no café da manhã, no  almoço e no jantar para saciar a nossa fome e manter o nosso corpo apto para o desenvolvimento das atividades laborais do dia a dia. Entretanto, por mais que seja gostosa a comida, temos que ter cuidado com a qualidade e a quantidade de alimentos ingeridos. Lembrando-nos de que tudo em excesso torna-se prejudicial, uma vez que, quando comemos além do necessário, sobrecarregamos o nosso organismo,  provocando a doença física.

Assim como alimentamos o corpo físico para mantê-lo saudável, devemos alimentar o espírito para cumprir com a nossa jornada terrestre designada por Deus. A diferença se encontra na forma de fazê-lo, que pode ser individual ou coletiva por meio de um ritual religioso.

A nutrição do espírito nos proporciona estar bem conosco mesmo e, por meio de uma plena aceitação do corpo, da mente, da vida que nos foram concedidos, ser um instrumento de Deus no mundo. Para nutrir nosso espírito, é preciso que criemos um laço inquebrantável de amizade com Deus, reservando  local vip em nossos corações para Ele se instalar, a fim de que a chama do Espírito Santo esteja sempre presente dentro de nós, iluminando o nosso caminho de vida e  nos enchendo de graça.

Para o nosso espírito, o qual está instalado  no nosso templo corporal da vida terrena, diariamente Deus nos prepara uma maravilhosa e farta ceia e nos convida para sentarmos à sua mesa, sem restrição de horários. Isso significa que a qualquer momento do dia e/ou da noite podemos alimentar-nos com a Palavra de Deus. Para nos servirmos do alimento espiritual, basta recolher-nos  num local de forma silenciosa, colocando-nos em estado de oração, a fim de termos um momento de reflexão, de arrependimento e de reconciliação,  desenvolvendo, assim, o dom da fé.
A cada encontro com Deus, somos convidados carinhosamente a partilhar do pão e do vinho da vida, os quais permitem termos uma perfeita e completa unidade com Ele e a vivermos de acordo com a Sua vontade. Assim Deus torna a nossa alma formosa e perfumada com a fragrância do conhecimento do Seu amor por nós, revelado e ofertado com o sacrifício de seu filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.
E quanto mais íntimos de Deus nós nos tornamos mais oportunidades são oferecidas de testemunhar os Seus milagres operados em nossa vida e do recebimento de uma infinidade de bênçãos, principalmente a descoberta de quem nós somos e a edificação de nós mesmos como obra divina.

Além disso, Deus nos proporciona  aconchego na hora da dor; dá segurança para que atravessemos destemidamente as portas que se abrem para nós; e entendimento sobre os seus ensinamentos registrados na Bíblia Sagrada,  amoldando o nosso espírito aos seus desígnios a fim de que possamos resolver todos os problemas e nos aperfeiçoarmos como pessoa com alegria em nossos corações. E quando tivermos dúvidas na nossa caminhada, Deus se expressa por meio de nossos corações, e a nossa voz interior responderá sempre qual o melhor caminho a ser tomado.

Sob a proteção divina, a nossa caminhada se torna mais leve, cheia de liberdade e esperança, e o nosso espírito se torna mais purificado e protegido de qualquer mal. Por isso não devemos poupar esforços para nos alimentarmos apropriadamente tanto o nosso corpo físico quanto o nosso espírito, a fim de desfrutarmos dos prazeres divinos com alegria e entusiasmo que a vida nos concede a cada dia e vencer as fraquezas próprias da carne.

Lembrando-nos de que quanto maior for a nossa comunhão com Deus, maior a possibilidade de nosso coração se transformar em um poço transbordante de amor ao próximo, uma vez que nós doamos aquilo que possuímos.

Deus é o pão da vida que vem do céu para nos santificar. Então jamais nos esqueçamos de louvar ao nosso Senhor! Viva, Deus! Viva, Jesus Cristo!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A Magia da Culinária: o incomensurável prazer de dar prazer

Estão à nossa disposição alimentos os mais sortidos possíveis com múltiplas composições de nutrientes e cores, possibilitando a construção de um cardápio diversificado e multicolorido para satisfação de todos os paladares e necessidades alimentares, inclusive dos mais exigentes. Cabendo-nos tão somente evitar o seu mau uso e os seus excessos. Do contrário, tudo passa do ponto de equilíbrio e a mesma comida que nos alimenta pode se transformar em veneno e nos matar.

Os alimentos podem ser consumidos “in natura” ou podem passar por um processo de transformação tal qual a borboleta. O que se prepara e se come em cada lar está vinculado às tradições, às condições financeiras de cada família e principalmente à disposição de cozinhar e proporcionar em forma de comida o alimento da vida e o prazer do sabor.

Há uma coisa mágica no preparo da comida... O que acontece dentro de uma panela é uma verdadeira alquimia, onde há a transmutação das matérias em prol da formação de um novo prato.  

O segredo do preparo da boa comida está na forma de unir os ingredientes, de misturar a massa, do poder de homogeneizar os temperos e fabricar os sabores, de apresentação no prato e de uma gama de outros atos. Adicionado a isso tem o dom e a capacidade técnica do cozinheiro de seguir uma receita e ou de  inventar outra, que se aprimora ao longo dos anos de experiência, e de dar um toque de amor  que completa o encanto da comida.

Na cozinha, o cozinheiro se assemelha a um mestre de bateria na coordenação das atividades necessárias para o preparo da comida e na utilização de seus equipamentos. Cada uma deles individualmente produz uma porção de sons, que apresentam regularidade e a sustentação da cadência e do ritmo do preparo da comida. Assim, ouve-se o batuque das panelas, o afiar das facas, o fervilhar da água, o escorrer da água e outros sons, que são tocados mais rápidos, outras vezes mais devagar, refletindo o compasso imprimido pelo cozinheiro. Todos os sons chegam aos ouvidos dos famintos como uma música, acompanhados de aromas que  aguçam a fome. 

Outras vezes, o cozinheiro se assemelha a um passista, movimentando-se e girando-se de um lado para o outro na cozinha de modo surpreendente e emocionante. Cheio de gingado mexe a sua panela e tempera os alimentos, pondo uma pitada de emoções e adicionando uma infinidade de imaginação. E quanto mais arrisca na produção de algo diferente, maiores são as oportunidades de expressar sua arte de cozinhar, abrindo-se um campo infinitamente fértil para a criação do sabor.

“Le grand finale”   fica por conta da exposição e degustação da obra-prima, que traduz os sentimentos e um bocado da alma ali depositados. Tal qual o mestre-sala e a porta-bandeira, o cozinheiro traz, em forma de cortejo suntuoso, os pratos caprichosamente preparados. Um a um vai colocando na mesa, agrupando-os harmoniosamente, utilizando a psicodinâmica das cores para realçar sua beleza e dar uma aparência que atraia, seduza e desperte o desejo de saboreá-los, começando o ato de devorá-los pelos olhos.

Convidados a sentar à mesa, inicia-se o desfrute dos sabores que suscitam diversas emoções e experiências sensoriais. A coroação vem com os deleites provocados a cada garfada e a expressão de que, mais do que saciar a fome, as pessoas estão se maravilhando com a comida, a ponto de lamberem os próprios dedos na tentativa de aproveitarem até o último pedacinho do paraíso gastronômico.

Em cada semblante onde esteja transparecida a expressão de prazer de comer, soa como elogio que acaricia o coração do cozinheiro e faz com que tenha valido à pena todo o tempo de dedicação e amor aplicados no preparo do prato. Perpetuando, assim, o ciclo do prazer de cozinhar para dar prazer a quem da comida se deliciar.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Viva a Abundância!

Com a benção de Deus, com a carícia da terra pelo agricultor, com a polinização e com outras formas de cultivo, a cada dia o Planeta Terra irradia o amor divino e de suas entranhas emergem os alimentos que suprem a nossa fome, que ornamentam os nossos campos e perfumam nossa alma.

A todo o momento algo fascinante acontece na natureza... A vida extraordinariamente nasce e se renova num ritmo harmônico e orquestrado pelo seu regente maior, esboçando a beleza de suas formas nas telas da vida, pintadas com as tintas multicoloridas da generosidade e da riqueza natural que se espalham por todos os cantos do mundo.

Desta forma é disponibilizada uma infinidade de alimentos que florescem e dão frutos dentro de seu tempo e especificação genética, oferecidos gratuitamente por Deus para o suprimento de todas as necessidades dos seres viventes. Para se ter acesso a eles nas suas mais diversas expressões, basta ter pensamentos de abundância, a conexão com a crença de que merecemos e a disposição para realização de troca dinâmica com o universo, pedindo, trabalhando, aceitando e aproveitando com bom grado e alegria tudo que nos for concedido. Mantendo, assim, o fluxo da energia cósmica da vida circulando e garantindo a prosperidade universal para todos.

Além da abundância de alimentos, temos à nossa disposição mil e um sabores que podem ser degustados repetidamente ao longo de nossa vida. Para saborearmos os prazeres da vida, devemos provar um pouco de tudo com total consciência do que estamos querendo em termos de regozijo pessoal; aproveitar os dons e talentos singulares que foram concedidos a cada um de nós sem limitá-los, sabotá-los ou bloqueá-los;  aproveitar as oportunidades de evolução e de compartilhamento de experiências com o outro; e principalmente viver de bem com a vida e em verdadeira comunhão com Deus.

O Universo é de abundância e de muitos sabores, por isso devemos olhá-lo, senti-lo e apreciá-lo como tal... Não percamos tempo! Experimentemos o sabor da natureza com plena aceitação da vida e deixemos nossos canais energéticos abertos para atrair tudo àquilo que traga sentimento de aprazimento de nossas necessidades físicas, de paz interior e de felicidade de espírito... E ao mesmo tempo sejamos sábios para usufruir da riqueza da natureza em sintonia com os princípios celestiais. 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Saudades de Mim

Às vezes a vida nos prega uma peça e não nos deixa alternativa a não ser a mudança de nossa trajetória. Sem nenhum aviso, recebi um golpe de onde menos esperava... Até antes do acontecido, estava convicta de que havia feito a melhor escolha entre as alternativas existentes, pois eu me sentia feliz, desfrutando cada trecho do caminho, sem ter pressa para chegar ao fim da estrada.

O golpe foi tão duro e abrupto que desmoronou a minha realidade cor-de-rosa, fazendo com que eu saísse do céu direto para o inferno, sem nenhuma escala. Fiquei completamente sem chão... Quanto mais eu tentava entender a situação pela qual eu estava passando, mais e mais as coisas não faziam sentido em virtude da minha limitada capacidade de ver e compreender os desígnios de Deus para mim, causando-me uma profunda tristeza de alma que me deixou completamente sensível e vulnerável, diminuindo o fluxo da minha energia vital e enfraquecendo as potencialidades do meu espírito.

Entrei em um ciclo de pensamentos negativos e acabei me perdendo de mim mesma. Como não abri mão do passado para ter o ganho do presente, quis fugir de tudo que estava me machucando e não quis mais ver o futuro me convidando para novos desafios e oportunidades da evolução do meu ser.

A minha bússola interna enlouqueceu e me deixou sem norte... Estacionei no tempo e deixei que um pedaço de mim morresse junto com o que perdi, transformando-me numa refém dos meus medos e frustrações. Como uma viúva, entrei num luto e uma saudade enorme invadiu todo o meu coração. Chorei copiosamente pelo que não podia mais ter, esquecendo-me de valorizar e agradecer o tanto de coisa que já tenho e que ainda poderei ter.

Com muito sofrimento entendi que não posso perder mais o meu precioso tempo terrestre, passou da hora de eu sacudir a poeira e dar a volta por cima. Tenho que despertar deste pesadelo e acordar de novo para a minha vida. Preciso, para isso, por um ponto final para a autocompaixão e, mesmo diante de adversidades que certamente aparecerão, prosseguir e vencer a dor de um sentimento de vazio que nada preenche e que não faz sentido alimentá-lo dentro de mim, ou seja, preciso me conformar de que não há nada a se fazer além de me conformar com o que aconteceu e deixar isso para trás como um aprendizado a fim de que as minhas feridas possam se cicatrizar. Afinal o tempo não pára e o show da vida precisa continuar.

Agora preciso acelerar o meu reencontro comigo mesma e resgatar do vale sombrio a minha alegria de viver e seguir em frente com o meu destino traçado por Deus, com a promessa de deixar anotados na minha agenda diversos encontros com o meu ser para que no meu momento de retiro encontre a minha paz espiritual.

Quero voltar a caminhar sob a luz, explorar a vida, curtindo-a em sua totalidade, desvendando seus mistérios e deixando para trás os trechos de histórias que não mais me pertencem, abrindo-me para todas as possibilidades, vislumbrando com os olhos da fé os meus mais ousados sonhos, fazendo com que eles se transformem em realidade.

Quero aceitar e vencer os desafios da vida sem que com isso eu fique paralisada pelo medo e sentindo pena de mim mesma diante dos obstáculos, mas sim fluida como a água na certeza de que Deus irá me prover de tudo o que for necessário para superá-los. Quero deixar florescer numa eterna primavera os meus sentimentos de amor, doação, perseverança e perdão, para permitir transcender ao mundo material e purificar o meu espírito.

Quero com o meu carinho acalentar os desamparados, com o meu sorriso iluminar os corações, com as minhas mãos ajudar a curar as feridas do meu irmão, com a minha alegria de viver contagiar os desanimados, com as minhas palavras confortar os aflitos e ser um porto seguro para os náufragos da vida.

Enfim, eu quero voltar a ser eu mesma na concepção perfeita do Criador, respeitando-me e convivendo harmoniosamente com a minha totalidade: espírito, alma e corpo e prosseguir na minha nova trajetória de vida, alinhando-a com os meus mais profundos desejos e valores espirituais para ter um relacionamento florido com o mundo, aprendendo a amar tudo aquilo que me foi dado segundo o meu merecimento e cantar e dançar com alegria e amor a valsa da vida em sua plenitude.

sábado, 1 de dezembro de 2012

A Era da Besta


A Besta instaura o seu trono a partir de sua designação para ocupar cargo comissionado do alto escalão no serviço público. Com o discurso de que irá trazer prosperidade organizacional, angaria a simpatia de seu nomeador e adquire a carta branca para seus atos alucinantes e enfermos.

Do seu alto posto, empertigado na sua poltrona com o orgulho de um Rei, ao qual ascendeu sem qualquer mérito, mas tão somente por causa de suas relações pessoais e cujo passado não se tem notícias, arquiteta leis próprias e utiliza formas obscuras de agir. Perante as autoridades superiores e do mesmo nível hierárquico a Besta age sob a pele de cordeiro, seduzindo-os com seus simulados sorrisos e presteza no atendimento servil de suas solicitações, enquanto com os subordinados ela fala como dragão e destila todo o seu veneno impondo suas vontades ardis aos berros de quem quer se fazer notar pelo escândalo. Com isso faz com que os seus pares o adorem enquanto os seus subordinados o temam.

Reina nesse tipo de gestão o estilo eu faço do jeito que me aprouver chancelado pelo dirigente máximo da organização e vocês são obrigados a me engolir, destruindo o respeito que deve existir entre chefia e subordinado e acarretando assim o estado de escravidão a partir da opressão e da privação de um ambiente profissional saudável e a instauração de tempos hipócritas, onde prevalecem os caprichos pessoais sobre as boas práticas administrativas.

À base da chicotada, a Besta coloca todos os seus subordinados em estado de frenesi interminável. É um tal de botar o pessoal para se virar nos trinta, num corre-corre danado, até que todos façam não o que é necessário para o bom andamento dos serviços mas o que agrade e massageie o ego inflado da Besta.

Utiliza da crítica, impregnada de maledicência, para minar o ser humano e para confundir a cabeça e denegrir impiedosamente a imagem que o servidor tem de si mesmo enquanto profissional. Da boca da Besta saem palavras cheias de blasfêmia e destruidoras da alma, enquanto em sua assinatura se encontra o selo do destino apocalíptico do servidor.

O produto de suas ações, originado no seu abominável caráter e na imundícia da sua prostituição profissional, conduz o subordinado a uma situação dolorosa e humilhante, bem como dissemina a iniquidade administrativa. Cada um em seu canto, se virando com o seu manual de sobrevivência, significa o estímulo para apostasia de convicções profissionais e para a procura de refúgio na mediocridade.

A Besta não mede esforços para atingir os objetivos inescrupulosos de ser dono do pedaço, bem como de condutas que contrariam as boas práticas administrativas para sucatear a máquina administrativa em prol do seu próprio ego. Com o tempo exaltará a si mesmo como sendo o "Salvador do Serviço Público" que elimina a praga do servidor público e com isso exigirá ser adorado como o Profissional do Ano, declarando-se então ser o hors concours.

Quando as ações da Besta contra os servidores não são repudiadas pelo Departamento de Pessoal, muito pelo contrário, há uma conivência quando se observa tão somente os aspectos burocráticos dos procedimentos de colocação do servidor à sua disposição, desprezando o aspecto emocional e humano envolvido na ação de perseguição, abrem-se espaços para que os maus tratos aumentem, bem como há a nutrição do poder e do orgulho da Besta, expandindo e perpetuando o seu reino da maldade.

À medida que seu poder aumenta em virtude da perseguição implacável de todos os subordinados que não se curvarem aos seus caprichos e/ou fingirem que a adoram, a unidade administrativa que a Besta conduz torna-se um lugar mais sombrio, com perigos invisíveis sobre o desenvolvimento do trabalho – perigos que poucos estão conscientes, pois eles atuam tal qual o câncer silenciosamente na mente individual e coletiva profissional. Assim sendo, o poder inerente ao cargo comissionado assume todos os caracteres de um estado mórbido por meio da utilização da arte do desprezo, onde impor suas vontades torna-se uma obsessão e uma forma de submeter os que considera inferiores aos seus mandos e desmandos para deles fazer seus fantoches no tabuleiro do jogo de poder, onde predomina a traição e a trapaça.

É fácil identificar a Besta e desmistificar o discurso propalado de um oportunista e aproveitador que não tem a ética como um valor inerente ao seu perfil profissional. A Besta nada se parece com o monstro tal qual é retratado nas produções cinematográficas, entretanto suas atitudes, cheias de artimanhas do demônio, quando são manifestadas, mudam o mundo profissional daqueles que se constituíram em alvos e foram subjulgados despoticamente, sem qualquer direito à defesa, tão somente por puro capricho sádico.

A Besta, que faz questão de demonstrar a sua força e massacrar àqueles que se apresentam como obstáculo no seu caminho, esquece-se que tudo é fugaz neste mundo. Na verdade a Besta não é por si só todo-poderoso originalmente, mas sim investida de poder por causa da ocupação do cargo comissionado, que não lhe concede o direito de fazer tudo que lhe aprouver, de ferir sentimentos para satisfazer o seu lado negro da vaidade sem que com isso, num futuro próximo, tenha que prestar satisfação de seus atos quando for submetido ao juízo final, onde reinará a justiça, não dos homens, mas a de Deus.

No final da gestão da Besta, obtêm-se saldos negativos, onde se acumulam fracassos e mais fracassos organizacionais, pois àquilo que o servidor suportou e sofreu de assédio moral estará na sua lembrança do tempo em que viveu num ambiente de trabalho mergulhado nas trevas, e por muito tempo ou talvez nunca será apagado o sofrimento de seus corações ao qual foram submetidos por quem deveria conduzi-lo para a satisfação profissional, evitando que consiga acreditar nos moventes sinais de um amanhã sob uma nova gestão e de trabalhar com o mesmo comprometimento de tempos anteriores ao ataque da Besta.

E foi com a presença de Bestas nos cargos de chefia que, durante o decorrer da história, muitos órgãos públicos acabaram sendo extintos. Porque o orgulho exacerbado dos dirigentes apenas leva a derrocada, até porque do ocupante do cargo comissionado se espera o respeito, não a opressão dos subordinados. Espera-se a humildade dos sábios, não a insensibilidade dos indiferentes ou o orgasmo dos sádicos em prol de seu próprio ego de Pavão.

O grande chefe é aquele que se utiliza da simplicidade e da sabedoria para conduzir os seus subordinados ao sucesso pessoal e profissional por meio de exemplos, onde em cada ato há a presença de um espírito nobre e sensível aos aspectos humanos, extraindo de cada servidor o que se tem de melhor em prol da organização. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Peste no Serviço Público


De tempos em tempos no órgão público a mudança da gestão administrativa vem acompanhada de pandemia da má gestão da coisa pública. Os surtos da peste têm origem no estilo gerencial dos “paraquedistas políticos” que, absortos nos seus próprios interesses pessoais de poder, ganância e de autopromoção junto ao dirigente máximo, assolam as unidades administrativas para as quais são designados. Dependendo da sede de poder e da vaidade do novo ocupante do cargo comissionado, suas ações podem fazer com que a doença se instale rápido ou mais devagar.

As principais características da doença institucional são: desmotivação, queda de produtividade, injustiça, assédio moral, puxada de tapete, clima de insegurança, caça às bruxas, onde em vez de se resolver problema busca-se culpado; entre outros que minam a autoestima dos servidores da casa e os fazem sentir como se fossem a escória do serviço público tamanho o desrespeito com que são tratados.

A epidemia se apresenta de duas maneiras.  No primeiro mês as ações contra os servidores concursados se limitam aos “paraquedistas políticos”, mas logo após tornam-se também praxes comuns entre colegas de trabalho que, despindo-se da sua ética profissional, coloca de lado os princípios da boa convivência e incorpora o papel de delator da versão que lhe convém circunstancialmente para se sobressair sobre o outro independente dos estragos que suas mentiras - fruto de sua ótica distorcida do colega, possam provocar. Esse tipo de comportamento covarde permite à peste da má gestão estabelecer-se porque, com cada um agindo por si, há sempre suficiente número de novos hóspedes de forma contínua para a sua manutenção endêmica.

É só uma questão de tempo até que a epidemia da peste gerencial se espalhe por toda a organização, provocando o desaparecimento do espírito coletivo e da solidariedade. O contágio da doença desenvolve-se no dia a dia organizacional por meio de atitudes desrespeitosas no trato entre chefe e subordinado e entre colegas, chegando ao seu ápice quando, percebendo que poderá queimar o seu “filme” a proximidade com os que foram perseguidos como se fossem criminosos, os outros servidores isolam os colocados à disposição do Departamento de Recursos Humanos, condenando-os ao isolamento, deixando-os abandonado à sua própria sorte profissional.

As reações ao surto são variadas, como é natural que ocorra em qualquer evento: cada qual tem um jeito peculiar de entender e absorver os efeitos da epidemia. É a natureza humana reagir e responder a diferentes eventos e circunstâncias dependendo do grau em que o sofra. Para alguns, trata-se de mais uma gestão que perdura durante um tempo e depois, assim como chegou, parte voltando ao normal o seu dia a dia, bastando fingir-se de morto durante este tempo. Para outros, que sofreram o assédio moral e tiveram o seu orgulho profissional ceifado, trata-se de uma questão de vida e morte, onde para sobreviver tem necessidade de se colocar em uma verdadeira redoma na qual possa se proteger de investidas dos “paraquedistas políticos” e dos próprios colegas de trabalho. Assim sendo, eles se veem obrigados a viver no ostracismo profissional e levar uma vida de sobrevivente do holocausto. Carpe diem, esta se torna a sua norma e a sua conduta enquanto perdura a má gestão.

A mudança comportamental, onde é extraído o que cada servidor tem de pior em seu caráter, provoca modos de busca pela salvação, que se torna para muitos quase uma obsessão subjugar o outro e maltratá-lo psicologicamente com doses generosas de crueldade.

A má gestão cria um clima de pessimismo e de medo. As condições pesadas do clima organizacional originadas pelo desrespeito da pessoa humana antes de tudo afetam a psique do servidor, atacando sua autoestima e criando um estado de desconforto emocional que impacta no seu dia a dia pessoal e profissional, levando-o ao estado de depressão e a outros tipos de doenças psicológicas e física que fazem com que ele entre cada vez mais com atestados médicos e não consiga produzir. Trabalhar se torna uma verdadeira tortura emocional para os servidores infectados diretamente pelo seu chefe.

Percebe-se, assim, como o surto faz com que a doença infecte o corpo funcional e provoque mudanças na forma de ser e agir dos servidores e na sua capacidade produtiva.

A peste no final de seu estágio de contágio atinge indiscriminadamente todos os servidores refletindo os seus efeitos maléficos para a baixa da qualidade dos serviços prestados a sociedade. Assim sendo, a peste da má gestão vai além da organização e cobra também um preço alto da sociedade que continua pagando seus impostos sem que para isso tenha em contrapartida serviços públicos de qualidade. Infelizmente a culpa só é imputada para o servidor carreirista. Desconhecendo as origens da peste, muitos cidadãos culpam os servidores concursados os horrores causados pelo mau-funcionamento da máquina administrativa, não entendendo que eles são somente mais uma vítima das atrocidades da má gestão gerencial.

O pior de tudo é que a peste é promovida pelo dirigente máximo da organização, fazendo com que os servidores que não se coadunaram com a peste trabalhem e paguem todos os ônus provocados pelos atos inconsequentes de seus protegidos colocados em postos chaves, os quais deveriam ser responsáveis pela condução do trabalho rumo à modernização. Entretanto o que os indicados políticos promovem é tão somente a destruição das boas práticas administrativas e depois vão embora sem olhar para trás a devastação que deixaram, assim como fazem os gafanhotos na plantação. E, apesar da destruição provocada pela peste, os políticos dirigentes continuam fornecendo todas as condições de que ela regresse junto com a sua gestão, nomeando pessoas altamente incompetentes que contaminam toda a organização, assim como ocorre com uma fruta podre dentro do cesto.

Se compararmos com os efeitos das pestes de gestões anteriores, é possível verificarmos que elas são quase idênticas à versão moderna. Mesmo quando o pior passa epidemias menores continuam a acontecer, transportando os sintomas para a nova gestão após a mudança. Os sobreviventes da peste e alguns moribundos vivem em medo constante do retorno da peste, e a doença não desaparece até que seja combatida com o advento da meritocracia e do respeito para com a pessoa humana e, por conseguinte, para com o profissional que por méritos próprios ingressou no serviço público. 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um Estranho no Serviço Público


Ao longo dos anos, criou-se na cultura do serviço público uma relação insensível e perversa aos princípios administrativos e à coisa pública, onde a maioria dos pretendentes ao cargo público acredita que basta passar no concurso público para obter água e sombra fresca pelo resto da vida.

Essa ideia vem de anos de desconstrução do conceito de ser servidor público por meio de práticas de agentes que misturam as esferas públicas e privadas e fazem dos cofres públicos os seus bolsos e da infra-estrutura organizacional a sua cozinha para promoverem verdadeiros banquetes para os seus convidados à custa dos impostos pagos pela população brasileira.

Cada pessoa pensa em somente tirar o máximo de proveito de ser servidor público, onde, garantindo-se na estabilidade, não se preocupa com os resultados, pois não há nenhuma cobrança e/ou punição para o servidor que trabalha mal e faz corpo mole.

A ausência de senso de responsabilidade ou de vontade de trabalhar para o bem da sociedade, conciliado com a falta de punição dos atos administrativos, faz com que os servidores adotem uma postura egoísta que prolifera com muita facilidade e rapidez no ambiente de trabalho. Assim sendo, mesmo que alguns desses novos servidores tenham outra perspectiva e/ou idealismo de fazer a diferença para o serviço público, com o tempo, acabam seguindo um padrão de procedimento laboral que não vai além da lição de casa.

Os conluios são praxes comuns e os mecanismos de combate aos que se colocam contra a essas práticas são criados e reforçados para brecar a todo custo quem desafia o status quo, provocando uma divisão de margens: num lado estão os “aproveitadores” e do outro lado os “sobreviventes”, restando somente uma borda para os “inconformados”.

Esses atos baseados na politicagem acarretam a valorização de comportamentos que depõem contra a boa gestão administrativa, uma vez que qualquer atitude fora do padrão comportamental: de fingir que está tudo bem, de não fazer alarde diante das falcatruas, de não discutir o problema do mau emprego do dinheiro público, de não reclamar dos mandos e desmandos de chefes incompetentes, de ver a roupa de um rei nu – provocará conflito no ambiente de trabalho e realçará a sujeira colocada por debaixo do tapete.

Em vez de se valorizar a pluralidade, a diversidade e a contribuição que cada ser único pode dar, é feita a construção de uma vala comum para todos por meio de mecanismos sociais para eliminar membros indesejáveis e para estimular os outros a manterem seu comportamento de ovelhinha. Quando alguém simplesmente não aceita esta imposição e tem a coragem de levantar uma bandeira e lutar pela coisa pública, ela, no mínimo, é tida por ovelha negra, dentro outros predicados, causando profunda estranheza às ovelhas do rebanho, que passa a tratá-la como louca.

Num local onde a maioria das pessoas é mero fantoche e está seguindo o seu próprio manual da sobrevivência, ter pensamentos autênticos é perigoso, ser o único a ver a nudez do rei, é insano e o pior de tudo, ser competente é condenar-se à solitária, pois a verdade intimida e a apresentação de resultados palpáveis chega a ser espantosa num local onde as pessoas fazem de conta que estão trabalhando. Este servidor se torna um verdadeiro estranho no serviço público.






sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Eu quero mais é ser criança

Os anos passaram voando e não teve outro jeito a não ser amadurecer e assumir diversas responsabilidades. Tornei-me adulta, onde, para sobreviver, aos poucos, fui perdendo a minha magia infantil e entreguei-me às amarras da preocupação e da desconfiança.

Mas assim como o Peter Pan eu não quero crescer para me tornar este tipo de adulto. Recuso-me a ficar com a minha face séria e rígida para suportar a dureza da vida. Eu não quero passar pela vida, eu quero participar dela ativamente e olhá-la sob as várias facetas do caleidoscópio, maravilhando-me com cada olhar.

Não quero ter que ficar pensando no futuro, nas contas que tenho a pagar, nas pessoas que poderão me passar a perna, na violência urbana, no desamor... Não quero ser mais uma sobrevivente neste mundo, quero ser um ser vivo cheio de vida.

Quero transformar a minha criança em mulher e a minha mulher em criança, pois viver é transformar-se. Quero dar asas à minha imaginação, viver sem vergonha de ser feliz, e ter todas as razões para criar e recriar a vida, como uma verdadeira artista que pinta o sete.

Quero estar envolvida de corpo e alma com o que estou fazendo no momento, permitindo-me viver o presente e tudo que me importará é o aqui e agora.

Quero encarar a vida como uma aventura e me sentir uma desbravadora dos sete mares, permitindo experimentar e descobrir o desconhecido. E, mesmo aquilo que nunca tenha realizado, eu terei a convicção de que tudo é possível fazer, desde que eu deseje, tente e queira concretizar os meus sonhos, transformando-os em realidade.

Quero andar rumo ao meu desejo, mesmo que ainda não tenha conseguido dar um passo sequer, pois me sinto autoconfiante perante aos desafios e nunca duvido de mim mesma quando preciso ultrapassar as fronteiras do meu saber.

Quero sentir-me viva para viver a vida intensamente, tornando-a vibrante e pulsante, tais quais são as batidas do meu coração. Quero fazer do ato de viver uma eterna brincadeira, onde qualquer brinquedo mesmo as sucatas se tornam uma fonte de prazer em que construo os meus castelos de sonho.

Quero, apesar de chegar à velhice, continuar sendo uma eterna criança e nunca quero deixar de brincar de viver. E mesmo que eu brinque 100 anos, quero que a brincadeira permaneça interessante como se fosse desfrutada pela primeira vez...

Quero deixar-me viver tudo o que há para viver, sempre com entusiasmo, mesmo que para isso eu pareça ser boba. E na minha pureza e ingenuidade infantil tudo seja motivo para celebrar o fato de eu estar viva.

Como eu sei que jamais terei a oportunidade de viver novamente este instante precioso da minha vida, pois ela é única, eu quero mais é ser criança e deixar que ela viva dentro de mim cheia de alegria e repleta de amor, distribuindo sorrisos para todo o mundo! E que a minha criança seja livre para viver e para desvendar o divino mistério do Criador!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cada macaco no seu galho e cada profissional na sua área de atuação!

Na natureza, existem leis que estabelecem uma fronteira, uma divisão entre as espécies e uma hierarquia no convívio social para manter o equilíbrio natural. Os “bens imóveis” da natureza estão sempre sendo cobiçados e mudando de mãos segundo as leis de sobrevivência, como, por exemplo, ocorre com os macacos.


Os macacos passam grande parte de suas vidas nas árvores, todos em diferentes galhos e a diferentes níveis, uns fazendo a vigília para dar o alerta ao menor sinal de perigo, outros colhendo frutas, e outros simplesmente sem fazer nada ou brincando.

Eles vivem em bandos cujo território defende contra a invasão de outros macacos para garantir a sua sobrevivência. Há hierarquia dentro do bando. Os macacos elegem um macho para liderá-los e decidir como se dará a divisão do alimento e que espaço físico deverá ser ocupado que propicie o acesso ao alimento e à água.

Em contrapartida, o “posto de comando” dá ao macho alfa o privilégio de monopolizar os favores sexuais das fêmeas. Isso faz com que os mais novos visem e disputem essa posição social para também ter acesso às fêmeas.

Entretanto quando o macho alfa não corresponde à expectativa do grupo ou mostra fraqueza ou está velho demais ele é afrontado por outro macho e ou destituído do cargo pelo grupo. Quando o macho alfa perde a posição e o seu “cargo” fica vago, geralmente acontece uma disputa pelo poder entre os outros machos.

Em muitas ocasiões os macacos acabam estabelecendo alianças com os outros membros do grupo. E o macho que assume o “cargo” não é necessariamente o mais forte, até porque músculos sem cérebro não servem para muita coisa. Ele é escolhido pela capacidade de persuasão, de formar alianças mais poderosas e de utilizar a sabedoria/diplomacia para corresponder as expectativas de seu grupo, ou seja, ele é escolhido por sua competência e habilidades que garantam o alimento, a segurança e a perpetuação da espécie.

É impossível deixar de reconhecer a similaridade entre as práticas dos macacos e dos humanos, principalmente na estrutura organizacional e na ocupação de “cargos”.

O modo como se interligam e funcionam as partes que compõem a empresa determina os modelos de gestão, a quantidade de postos de trabalhos e o perfil profissional necessário para ocupá-los, a hierarquia, a divisão das tarefas, a comunicação dentre outros.

Por meio do desenho organizacional, são divididas, organizadas e coordenadas as atividades, cujas responsabilidades são atribuídas a pessoas ou grupos, com o intuito de produzir bens ou serviços para satisfazer necessidades específicas.

A ocupação dos cargos deve ser definida levando-se em consideração o conhecimento, habilidades, formação e experiências do candidato para o desenvolvimento das atividades pertinentes ao cargo no processo produtivo. Por isso a diversidade profissional é de fundamental importância para suprir todas as exigências advindas da criação dos postos de trabalho.

Todas as profissões são importantes, cada uma, tem a sua particularidade e a sua forma de remuneração, bem como requer um saber que é construído ao longo da carreira que depende de uma multiplicidade de fatores como: necessidade individual, ambição, experiências pessoais e profissionais, o desenvolvimento intelectual dentre outras. Por isso quanto mais alto e bem remunerado for o cargo, mais exigências de qualificações exigem dos profissionais para ocupá-lo.

Entretanto, muitas pessoas não hesitam em ser espertalhonas para levar vantagem financeira e usufruir de outras benesses existentes ocupando sem nenhum escrúpulo o cargo que ultrapassa as fronteiras do seu saber profissional e de sua habilidade, garantindo-se somente na indicação política.

Na ânsia de se darem bem, essas pessoas, olhando somente para o próprio umbigo, não medem os riscos de colocar a mão na cumbuca ao ocupar o lugar do outro. Nesse contexto, os “invasores” e o trabalho não podem se complementar, produzindo ruptura no processo produtivo por meio de uma interação de perde-ganha.

Ao fazerem a ocupação de um cargo somente por questão da indicação política, os “invasores” e os protetores se esquecem ou negligenciam o pequeno-grande detalhe de que a escolha de uma profissão e a ocupação do cargo é acompanhada de um conjunto de regras de conduta socialmente codificadas em normas, valores, princípios e regras da ética da profissão.

Não se pode fazer aquilo que não se conhece a não ser que se tenham atos desonestos na medida em que esteja seguro da impunidade, uma vez que querer ser bem sucedido sem trabalhar duro é como querer colher sem plantar.

O “invasor” normalmente vive do discurso e se sustenta na realização de ações que dão Ibope junto aos seus protetores. O que ele faz é só propaganda enganosa daquilo que não faz. Metade do trabalho realizado é para fazer com que as coisas pareçam o que não são, priorizando-se o fingimento de que estou trabalhando, ou seja, quando tem de fazer alguma coisa, faz alguma coisa; ainda que não seja exatamente aquilo que devia fazer. Neste caso a ineficiência pode passar facilmente por eficiência, apesar dos resultados dizerem o contrário futuramente comprometendo o processo produtivo e a sobrevivência organizacional.

Fica a pergunta – os profissionais não têm a obrigação de honrar os benefícios dos cargos que ocupam produzindo resultados positivos para a empresa pública ou privada e para a coletividade?

A escolha de uma profissão exige do profissional estar disposto a investir no saber. E o saber leva tempo. A formação profissional requer o desenvolvimento de competências e habilidades numa área específica e uma adesão e comprometimento com a categoria profissional por meio do juramento de cumprir regras estabelecidas como as mais adequadas para o exercício da profissão, fazendo parte do comprometimento do profissional ser eticamente correto.

A competência é um processo que se constrói com atitudes agregadas à ação cotidiana, dedicação individual associada à profissionalização e à busca contínua pelo aprimoramento da capacidade profissional e pessoal, mediante estudos, honestidade/ética, observações, reflexões, articulação de conhecimento, partilha e comunicação de resultados.
A ética é necessária para tutelar a liberdade de cada área de conhecimento um contra a invasão de todos, e a liberdade de todos contra os atentados de cada um. Por isso é fundamental importância que cada um saiba escolher bem a sua profissão e atuar dentro dela de forma honesta.

Analisar o tipo de trabalho e as competências necessárias para ocupar o cargo é um determinante para o sucesso profissional e organizacional como também gostar daquilo que se pretende fazer.

Antes de aceitar qualquer proposta de trabalho, o profissional honesto, além de avaliar os aspectos remuneratórios, deve se perguntar sobre os deveres assumidos, quais serão suas responsabilidades, o que esperam dele na atividade, o que ele deve fazer, e como deve fazer e principalmente se ele tem o perfil profissional adequado para evitar assinar seu próprio atestado de incompetência.

Com isso o profissional trabalha de forma competente na sua área de atuação gerando resultados positivos e mantendo uma relação ganha-ganha com a empresa pública ou privada que escolher trabalhar.

Afinal de contas, nada melhor do que a perfeita combinação entre o profissional e o seu cargo para a obtenção da excelência organizacional. Sonho de consumo de qualquer departamento de RH!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A importância de sonhar

Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. Mas no fundo isso não tem importância. O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.


O incrível mundo dos sonhos dá um toque mágico à vida. Sonhos nascem a cada dia, a cada hora, a cada minuto, sem percebermos um sonho nasce dentro do nosso coração. Os sonhos nos permitem viver o estranho, o diferente, o novo e libertar a alma dando asas à imaginação e à criação. Sonhamos com a vitória, com o sucesso e a realização de nosso projeto de vida. Não existem limites para a nossa capacidade de sonhar e, por conseguinte, realizar. Basta olhar ao nosso redor para perceber a capacidade imensa do potencial humano.


Os grandes realizadores são homens que sonharam alto e acreditaram na realização dos seus sonhos, agindo persistentemente para torná-los reais. Três forças principais, além de outras, foram utilizadas sempre: imaginação, fé e ação.


Independente do tipo de sonho, devemos sempre acreditar neles, mesmo que tudo nos leve a pensar que parece impossível. Lembrando-nos de que sonhos são apenas devaneios sem ação. A realização de um sonho começa a se concretizar quando o colocamos em prática através da idealização de um plano, projeto ou do estabelecimento de uma meta. É necessário alimentar diariamente os nossos sonhos colocando, sempre, uma pitada de emoção; reconhecendo que eles são dádivas da alma, carregados de pura emoção, que devem ser alimentados sempre através da energia da fé. Mas, a ação é imprescindível assim como a emoção é indispensável. Tudo isso deve sempre estar aliado a um outro fator chave de suma importância: a persistência. Sem persistência a fé não resiste e a ação é interrompida. Na medida em que persistimos, melhoram as nossas expectativas com relação ao objeto de nosso ideal ou meta. Com isso, a cada dia nos tornamos mais confiantes, atingindo assim uma capacidade técnica maior e, uma maior interação com os lampejos que surgem da intuição. Daí emerge finalmente o “insight” definitivo que nos brinda com a vitória.


Deixe que os sonhos vivam, deixe que eles floresçam, permita que eles se enraízem na sua alma e alegrem seu espírito. Então viva e sonhe cada momento de sua vida como se fosse o último minuto pois quando você acordar seus sonhos passam a se tornar real…


O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos. Busque forças dentro de você. Acredite na beleza dos seus sonhos e na capacidade de realizá-los. É preciso sonhar, sempre, para manter viva a chama do entusiasmo que brota da alma. Creia na realização dos seus sonhos e aja, persistentemente, em busca daquilo a que se determinou a fazer. Isso o fará realizar pequenas ou grandes coisas, dependendo de sua vontade livre e de sua capacidade de colocar os seus planos em ação.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Perdido pelo poder, apaixonado pelo material e amante do dinheiro

A fórmula composta por poder, paixão e amor pelas coisas materiais resulta na estimulação dos mais terríveis e temíveis vícios humanos, com os quais só é possível conviver envolvido numa igualmente alucinante e compensadora ilusão e fantasia.

Cada homem traça e segue o próprio caminho, empregando todos os meios e recursos para atingirem os seus fins sempre de olho na felicidade e no que pode ganhar com cada empreitada.

Alguns homens acabam empreendendo todos os esforços numa luta por coisas muito pouco adequadas à luta, desviando toda a sua atenção para a tola questão de se mostrar melhor do que o outro, abandonando o ser e voltando-se para o ter numa combinação de interesses que resultam numa diminuição dos sistemas de valores e da visão do mundo.

O desejo de poder anda de mãos dadas com a assunção de grandes riscos. O poder, ah o poder! Algo tão efêmero quanto a fumaça de uma fogueira de papel, mas tão perturbador como a droga. Quando se tem muita fome pelo poder o homem acaba se contentando com migalhas.

Não se pode ter nenhum controle sobre o poder, ele simplesmente vai e volta num ritmo próprio e sem muito compromisso num caminho errante e imprevisível, que se constitui numa eterna busca de algo que nunca pode ser atingido. É feitiço lançado sobre a alma do homem, envolvendo-a de tal forma que é quase impossível deixar de se levar pela sua sedução e ser apanhado nas garras da paixão, fortalecendo a vaidade do ego e tornando o homem capaz de fazer guerra, de passar por cima das pessoas e avançar rumo à morte para manter-se com ele ou nele.

Na encruzilhada da escolha, o homem fica dividido entre o desejo de obter mais poder e o desejo de desfrutá-lo (ou saboreá-lo) e aposta sempre na sua sorte para tentar conseguir obter mais poder a qualquer custo, mesmo que isso implique a descida da alma ao submundo.

A paixão é um desejo irresistível de ser irresistivelmente desejado o qual conduz o homem ao estado mental transitório que desmobiliza a razão. A paixão é igual a uma fogueira que queima e evapora de uma só vez toda a energia disponível. É como se vivesse em um só dia toda uma vida, não deixando nada para depois.

A paixão pelas coisas elimina a visão crítica e a percepção acerca da importância do ser, uma vez que naturalmente só se dá valor àquilo que pode ser demonstrado pela matéria e não pelos sentimentos/emoções. O significado das coisas não está nas coisas em si, mas sim em nossa visão e no valor que atribuímos a elas.

Na paixão há delírio, otimismo, e um pedacinho do paraíso. Mas o que vem depois?...Só frustração e decepção! Não há nada pior do que uma paixão, pois ela normalmente é um samba de uma nota só, onde não há a reverberação do som...

O dinheiro alimenta a luxúria e a vida promíscua de seus amantes. No pântano da ilusão, ocorrem as relações clandestinas onde os sonhos, transas, pensamentos, suspiros, dores, lágrimas, do pobre amor são companheiros certos que compartilham aventura e fardo.

Ama-se o dinheiro mais pelo que ele representa dentro da sociedade do que pelo seu valor monetário. O que as pessoas querem não é o dinheiro, querem o fausto, querem amor e admiração que ajudem a aumentar a sua sensação de grandeza perante os outros em virtude das posses que acumula e ostenta ao longo do tempo.

Os amantes, com um quê de artistas, emergem do uso do dinheiro rumo ao pedestal social e utilizam toda a criatividade na arte de mentir para garantir a venda de uma imagem de vencedor, a fim de serem admirados por todos.

Entretanto a satisfação não é duradoura, pois o dinheiro irá inexplicavelmente abandonar os seus amantes, levando consigo todas as ilusões e juras de amor. Só neste momento, após a perda do encantamento e o retorno à realidade, que os amantes descobrem os defeitos do seu objeto idolatrado.

Somos frutos de nossas ações, comportamento e até de nossos pensamentos, na medida em que agimos e reagimos aos obstáculos apresentados pela vida. Portanto se queremos nos livrar dos nossos vícios, devemos nos manter vigilantes, pois é muito fácil enganar a nós mesmos, pois acreditamos naquilo que desejamos e fazemos tudo para satisfazer os nossos desejos.

O maior prêmio que a vida oferece é a chance de sermos felizes de forma simples. As coisas materiais fazem parte da vida, mas não podemos deixá-las ser a nossa razão de viver. É preciso amar as pessoas e usarmos as coisas e sintonizar a mente na mesma freqüência do coração, tirando o máximo de proveito da vida, investindo tempo no amor e nas relações interpessoais, bem como é importante lembrar que não podemos nos tornar o que devemos ser se continuarmos sendo o que somos.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mecanismos de defesas que se tornam armadilhas da alma humana

A luta faz parte da Lei da Sobrevivência e, para vencermos as dificuldades apresentadas pela vida, aprendemos a lutar e nos defender dos perigos. Mas como fazemos isso?

Quando criança, desenvolvemos um mecanismo de defesa e de auto-proteção do Eu para amenizar a dor emocional causada pela necessidade de reprimirmos sentimentos e pensamentos primitivos a fim de nos adaptarmos à realidade da nossa família. O mecanismo de defesa é uma forma de aceitação do não ser a fim de que um pouco do ser possa ser preservado para a criança continuar vivendo em sociedade.

Cada criança desenvolve o seu próprio mecanismo dependendo da experiência que tiver no seio familiar. Inclusive irmãos, mesmo passando por experiências parecidas, podem desenvolver mecanismos de defesa diferenciados em virtude da sua forma peculiar de ver o mundo e de sentir as pressões.

A repressão dos sentimentos e pensamentos dependendo da força e rigidez aplicada pelos pais na educação produzirá defesas psicológicas totais ou parciais na criança para lidar com algumas adversidades da infância tais como: a dor, a frustração, a rejeição e a raiva.

O objetivo maior da defesa é criar uma barreira que afaste da consciência todas as situações potencialmente provocadoras de ansiedade e de impotência, restringindo a percepção somente às coisas suportáveis pelo Eu dentro de uma esfera segura. Embora haja um alívio da dor, o foco de tensão/ansiedade continua fazendo parte da psique provocando sensações desconfortáveis em determinadas situações que coloca em confronto o consciente com o inconsciente.

Algumas manifestações mais primitivas e originais entram em ação quando se vivencia uma situação onde nos sentimos fracos, vulneráveis e indefesos contra os nossos medos semelhantes aos que nos fizeram criar o mecanismo de defesa.

A situação de tensão pressiona o botão do subconsciente e o faz aprisionar a razão e abrir as comportas do medo que possui maior força do que a própria realidade, transformando aquilo isento de sentido em algo de grande e temeroso, ou seja, até um inofensivo mosquito vira um monstro a ser combatido com todo o poder de fogo existente. Há algo mais assustador do que o medo?

Conseqüentemente anos mais tarde, por mais que se altere a nossa realidade, por força do hábito nós continuamos enxergando o mundo pelas mesmas lentes infantis e insistindo com a defesa mesmo quando não há absolutamente nenhuma razão e/ou vantagem em nos defender.

Esse mecanismo de defesa infantil trava nossa mente, uma vez que nos impossibilita de fazer uso da função de pensar alcançado com a maturidade e de analisar o cenário e de manter sob controle os pensamentos, fazendo que tomemos atitudes do tempo de criança.

Cada um de nós é o que é possível ser em cada momento da nossa vida, ainda que sejamos menos do que podemos ser. Conhecer o nosso mecanismo de defesa e os pensamentos que se hospedam na nossa mente, sabendo diferenciá-los entre úteis e inúteis, são fatores importantíssimos para compreendermos as causas que nos levam a utilizarmos nossas armas de forma inapropriada e de mudar nossas posturas perante os desafios da vida.

De fato o mau-hábito é difícil de ser eliminado, mas é possível mudá-lo com a criação de novos hábitos. Somente dentro de nós é possível encontrar uma vontade inquebrantável para eliminar tudo que possa dificultar a superação dos nossos medos e evolução do nosso ser. Há necessidade de fazer uma reprogramação mental, iniciando por uma limpeza geral da mente, do recolhimento das armas e sua utilização em momentos apropriados e da destruição do botão que aciona o mecanismo de defesa das coisas imaginárias, bem como do redirecionamento do pensamento na direção do amor, do sucesso, da felicidade e da vida.

Nunca é tarde para começar. Comecemos hoje mesmo o nosso processo de transformação. Tenhamos atitudes que nos tragam os melhores benefícios dentro do contexto, dando valor ao que realmente for valioso e tornar irrelevantes as questões mínimas. Andando pelo caminho de vida com esta consciência certamente as melhores coisas acontecerão.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Liberdade X Prisão = escolhas da vida

Desde a mais tenra idade aprendemos sobre a importância da liberdade e de lutamos por ela. Como bem disse Cecília Meireles: - a liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.

A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, onde há a escolha do modo que queremos viver e do sentido que daremos à nossa vida.

Em todas as situações da vida, sempre teremos duas ou mais possibilidades para escolher, normalmente antagônicas e complementares entre si, como: enfrentar, retroceder ou fugir do problema, expor ou camuflar os sentimentos, seguir as regras ou chutar o pau da barraca etc.

A existência de mais de uma possibilidade de escolha, obriga-nos a tomar decisões que decorrem da capacidade de argumentarmos conosco mesmos acerca das informações e experiências que acumulamos ao longo da nossa existência e de chegarmos a uma conclusão sobre a melhor alternativa, ou seja, aquela que atenderá melhor às nossas demandas individuais.

A escolha é individual e intransferível. Escolhemos e obtemos os resultados da nossa escolha o tempo todo. O dia de amanhã trará os resultados da escolha do dia de hoje e assim sucessivamente. Se escolhermos semear sementes de flores, colheremos flores, se escolhermos nos enchermos de rancor, ficaremos ressentidos, se escolhermos deixar que outra pessoa nos domine e controle, ficaremos inertes. Por isso não podemos culpar ou responsabilizar ninguém pelos resultados advindos de nossas escolhas, até mesmo de não fazermos escolha.

Entretanto a nossa liberdade de escolha é interdependente e limitada pelo social e por nós mesmos. Em virtude da convivência social, nem sempre podemos fazer tudo o que queremos, bem como ter domínio completo da nossa vida e, não raras vezes, nos tornamos produtos do meio em que vivemos. Em virtude de nossos pensamentos e sentimentos, agimos de forma negativa ou positiva que pode limitar ou expandir o nosso campo de atuação diante da vida.

Para avaliar se a escolha é pertinente, adequada e suficiente precisamos saber como ela se encaixa no cenário no qual a nossa vida está inserida. Assim, para cada escolha, deve-se pelo menos ter a visão dos seus desdobramentos inclusive os aspectos legais e morais, para que, de alguma forma, possamos ter a noção dos riscos envolvidos e dos resultados a serem obtidos a partir dela.

Escolher significa ter alguma coisa e abrir mão de outra. Muitas vezes a escolha gera momentos de conflitos internos e de grande dor, principalmente quando não conseguimos deixar para trás o passado e teimamos em repetir erros, achando que com o mesmo comportamento obteremos resultados diferentes. Essas grandes e solitárias batalhas interiores podem provocar distorção dos fatos e a queima de etapas da vida.

Se não formos capazes de fazer a escolha e/ou tentarmos transferir a responsabilidade para outra pessoa, ficamos perdidos em um complexo labirinto de problemas e de falta de ação para resolvê-los, e nos colocamos no isolamento do eu, aprisionando-nos dentro de nós mesmos com os turbilhões dos nossos pensamentos e emoções fragmentados, tornando-nos pobres de espírito, arrastando pela vida correntes de desilusões, mágoas e ressentimentos e mergulhando em estado de angústia, ansiedade e irritabilidade.

É o sentido que damos a tudo, mesmo àquilo que não o tem, que vai determinar a liberdade que teremos ao nosso dispor. Quando utilizada de forma consciente, a liberdade impulsiona para a felicidade tão almejada, caso contrário para a prisão, uma vez que a alma responde proporcionalmente ao seu estado de liberdade e espontaneidade ou ao seu estado de aprisionamento e repressão.

O que se percebe é que as prisões são produzidas no território da emoção quando nós lidamos com os obstáculos da vida por meio das nossas escolhas e não superamos as frustrações. Existem mil e uma formas de prisões que assolam as almas: o cárcere do ressentimento gradeado pelas tristes lembranças de mágoas e cercados por imagens de cenas vividas e de tramas e soluções que nunca se concretizam, o cárcere da síndrome do pânico gradeado pela necessidade de esconder do mundo ameaçador, o cárcere do ciúme gradeado pela falta de confiança em si mesmo, o cárcere da inveja gradeado pela ambição de possuir coisas que são de outrem, e tantos outros cárceres.

O regime de prisão dependerá do tipo de personalidade de cada um. A prisão pode ser pela maneira de pensarmos ou de nos locomovermos. Na primeira, encarceramo-nos e jogamos as chaves fora, sozinhos, com os nossos pensamentos e emoções que nos impedem de ver e viver a poesia da vida; na segunda, impedimos os movimentos do corpo e não nos damos a oportunidade de locomover e explorar todo o espaço sideral disponível.

O pior de tudo isso é que acabamos nos acostumando com a prisão e aprendemos a projetar imagens mentais de nos mesmos de forma separada da percepção das outras pessoas, gerando, assim, uma ilusão de ótica que restringe os nossos desejos pessoais, conceitos e relações interpessoais. Quanto mais tempo formos prisioneiros de nós mesmos, mais intensificará a nossa ansiedade, que será canalizada para produzir diversos sintomas psicossomáticos que repercutirão na nossa saúde física e mental.

Tudo que deixamos ter poder ou domínio sobre nós é uma prisão. Entretanto há como nos libertamos dela a partir do momento que decidirmos pegar as rédeas de nossa vida e fazermos escolhas saudáveis que venham de encontro com nossos desejos, aspirações e nossas singularidades, embora seja tarefa quase impossível de nos livrarmos de todas as prisões mentais existentes.

Podemos aprender a cultivar o sentimento de sermos livres nas mais diversas circunstâncias do dia a dia da vida: sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão, por meio da conexão da respiração, mente, energia e corpo.

A partir dessa conexão, abre-se o canal para a transformação da consciência que nos permite passar do mundo conceitual do pensamento ao campo da consciência incondicionada, fazendo com que entremos em contato com a nossa essência, onde mora o nosso ser, completamente unificado com o universo e capaz de vislumbrar além do horizonte das aparências e limitações, permitindo transformar todos os sonhos em realidade.

A unidade do ser – que inclui o corpo, os sentimentos/pensamentos, a intuição e o espírito – é impulsionada por energia vital e por uma graça natural e fluida da vida que permite aprender a proteger a emoção nos focos de tensão, a trabalhar as dores e contrariedades, a expandir a arte de pensar e o prazer de viver, resgatar o sentido da vida e nos libertar das nossas prisões mentais.

Por meio da nossa escolha consciente e livre de neuras, somos estimulados a fazer um brinde à sabedoria, conferir sentido à nossa vida, resgatar a espontaneidade, estar presente, ouvir os desejos, estar conectado às diversas dimensões humanas, ser antes de ter e a nunca desistir de nós mesmos, por piores que sejam os nossos problemas e por mais intransponíveis que pareçam ser nossos obstáculos.